27 de Janeiro de 1945

Libertação do campo de concentração de Auschwitz pelo Exército Vermelho

É fundamental fazer frente à deriva militarista e reaccionária

No dia 27 de Janeiro de 1945, o Exército Vermelho da União Soviética libertava o Campo de Concentração de Auschwitz, pondo fim ao maior dos campos de concentração e extermínio do nazismo alemão e dando a conhecer ao mundo até onde chegou o seu horror e barbárie.

Depois de ter infligido derrotas sucessivas aos exércitos nazi-fascistas – em Moscovo, Stalinegrado, Kursk, Dniepre, Leninegrado (cidade que resistiu a 900 dias de cerco) –, as forças soviéticas continuaram a avançar, libertando muitos campos de concentração, extermínio e trabalho escravo instalados pelos nazis e muitos países da Europa, perseguindo as hordas nazi-fascistas até Berlim, onde se daria a batalha final e a rendição incondicional da Alemanha nazi a 9 de Maio de 1945.

Auschwitz-Birkenau
Estrategicamente colocado no Leste da Europa, na Polónia, Auschwitz-Birkenau foi o maior campo de concentração e extermínio nazi e o que mais prisioneiros assassinou, pelo menos 1 milhão e 300 mil: comunistas e outros antifascistas, judeus, prisioneiros de guerra, homossexuais, ciganos, pessoas com deficiência e outros que não se coadunavam ao ideal-tipo nazi-ariano.

O assassínio em massa nas câmaras de gás, com o uso de um agente químico preparado para matar pragas, o Zyklon-B, foi instituído em finais de 1941 e a partir de então passou a ser o principal instrumento de extermínio em Auschwitz-Birkenau, conhecido como “Fábrica da Morte”, onde se chegou a aniquilar 6000 seres humanos por dia.

Grande capital lucrou
No complexo de Auschwitz-Birkenau tudo era financiado pelo Deutsche Bank. A IG Farben-Bayer (a fornecedora do gás Zyklon-B), a IBM ou a Metall Union são empresas referenciadas como tendo explorado mão-de-obra escrava naquele campo. Mas muitas outras houve que beneficiaram dos campos de trabalho escravo nazis e do regime hitleriano. O nazi-fascismo não foi fruto do acaso nem tem origem na mente de loucos: foi, isso sim, uma criação do sistema capitalista em crise que correspondeu à imposição da ditadura terrorista dos monopólios.

O imperialismo nunca se conformou
O imperialismo nunca se conformou com a gesta heróica do povo soviético, sob a liderança dos comunistas e o papel determinante da União Soviética na vitória sobre o nazi-fascismo e no avanço do processo de emancipação social e nacional que se lhe seguiu..

Criadas pelo capitalismo para responder à sua mais profunda crise no século XX, utilizadas durante décadas para fazer frente às forças revolucionárias e progressistas por todo o mundo, as forças de extrema-direita, fascistas, voltam a ser promovidas em diversos países para levar mais longe o ataque aos direitos dos trabalhadores e dos povos, para promover a ingerência e a desestabilização, para fomentar o militarismo e desencadear conflitos e guerras.

No momento em que, nomeadamente na Europa, as forças da direita e da social democracia não dão resposta aos problemas e aspirações dos trabalhadores e dos povos e, ao contrário, desenvolvem políticas de favorecimento do capital monopolista; em que, ao mesmo tempo, os grandes interesses económicos promovem concepções, projectos e forças de extrema-direita e fascizantes; em que se promove o pensamento único e se discrimina, silencia, deturpa e reprime o pensamento crítico ou divergente, os que lutam de forma efectiva pelos direitos, o progresso social, a soberania, a paz e a cooperação; em que se reescreve e falsifica a História, se branqueia o que foi o fascismo e os seus crimes, se criminaliza os que o combateram e se promove o anticomunismo; em que se fomenta a confrontação, o militarismo, a escalada armamentista e a guerra – é essencial estar atento, travar o passo e impedir que o monstro volte a ameaçar a Humanidade.

Para tal, será determinante a luta dos trabalhadores e dos povos, a existência, o reforço e a intervenção dos comunistas e de outras forças antifascistas e anti-imperialistas, que combatam a exploração e a opressão, que lutem pela paz e a cooperação, pela amizade entre todos os povos, por um mundo mais humano e melhor.

Reafirmar os valores de Abril: pela paz e a democracia, não à guerra e ao fascismo
A luta pela democracia e a paz, contra a guerra e o fascismo, trava-se também em Portugal, onde grupos económicos utilizam o seu domínio sobre a economia e a vida nacional para acumular milhares de milhões de euros de lucros. Um caminho de intensificação da exploração e agravamento das desigualdades protagonizado por sucessivos governos do PS, PSD, com ou sem o CDS, e agora pelo Governo PSD/CDS, com o apoio do Chega e da IL e a cumplicidade do PS, ao serviço do grande capital. São décadas de política de direita sempre levada a cabo contra o rumo aberto pela Revolução de Abril.
A situação económica e social do País degrada-se, com a limitação de importantes direitos sociais, económicos, políticos e culturais, a degradação das condições de vida dos trabalhadores e do povo, a acentuação das injustiças e desigualdades sociais, o aumento do domínio económico e político do grande capital, a reafirmação de opções de submissão a interesses externos, nomeadamente à UE, à NATO, ao imperialismo, nomeadamente ao imperialismo norte-americano, alinhando na corrida aos armamentos, fragilizando-se assim a afirmação da soberania e independência nacionais.

Paralelamente, são promovidos forças e projectos reaccionários, que constituem uma acrescida ameaça aos direitos dos trabalhadores e do povo, às liberdades democráticas, à democracia e ao futuro de Portugal, e multiplicam-se operações de branqueamento da história e natureza do fascismo e de apagamento do papel do PCP na resistência, nas transformações revolucionárias de Abril e na defesa das suas conquistas.
Face a tudo isto, é fundamental rejeitar e fazer frente à política de direita e à deriva militarista e reaccionária, afirmar os valores de Abril e lutar por um Portugal soberano e de progresso social e por um mundo de paz.

 



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