Confiança, determinação e clareza de objectivos

O resultado da primeira volta das eleições presidenciais não apaga os esforços realizados em mais uma campanha marcada pela disparidade de meios e recursos, por condicionamentos vários e pelo intensificar de manobras antidemocráticas. O PCP continuará onde sempre esteve, junto do povo, na luta pela ruptura necessária com esta política que prejudica a maioria, recusando desânimos e combatendo projectos abertamente reaccionários, que se vão alimentando dos anseios reais e justos das pessoas, com o objectivo de destruir tudo aquilo que ainda faz sentido defender.

A luta continua!

A noite eleitoral da campanha de António Filipe realizou-se no Hotel Sana Metropolitan, em Lisboa, com centenas de apoiantes e membros desta candidatura a juntarem-se para receber os resultados eleitorais da primeira volta. Ao longo da noite, membros da candidatura realizaram intervenções iniciais em torno das primeiras previsões lançadas, assim como dos valores da abstenção. Após estas primeiras considerações, falaram António Filipe e Paulo Raimundo, transmitindo as primeiras apreciações da candidatura e do Partido aos resultados.

Faz-se caminho ao andar

Paulo Raimundo iniciou a sua intervenção saudando António Filipe, que de uma maneira «exemplar, convicta, corajosa e confiante», protagonizou uma candidatura de esquerda e patriótica, que se afirmou como necessária, afirmou a Constituição e as valores de Abril; uma candidatura que «afirmou aquilo que era preciso afirmar e que recusou aquilo que era preciso recusar». Foi o candidato que denunciou «os reais objectivos de candidaturas com forte pendor antidemocrático», assim como a «convergência de candidaturas em aspectos essenciais com a política de direita».

Quanto ao resultado, verifica-se ter ficado «aquém do valor da sua candidatura», por aquilo de que foi portadora, do «rumo necessário» para os trabalhadores, o povo e a juventude, «seja no âmbito das eleições, seja para lá das eleições». Estando enquadrado por uma campanha eleitoral de «tratamento desigual», «focada no acessório» e «marcada pela chantagem e condicionamento», este resultado resulta num quadro «em que, do desfecho das eleições, não é possível afastar do exercício das funções presidenciais uma clara identificação com a política direita», com a passagem à segunda volta de António José Seguro e André Ventura.

Face a esta situação, o Secretário-Geral afirmou que se impõe «impedir a possibilidade de se vir a instalar como Presidente da República alguém que, para lá do compromisso com a política direita», assuma de forma clara uma «agenda e concepções reaccionárias, retrógradas e antidemocráticas, de questionamento do regime democrático e de ofensiva e ataque à Revolução de Abril». Esta é uma opção que exige de forma clara o «voto contra a candidatura de André Ventura», conduzindo assim o voto em António José Seguro.

Paulo Raimundo endereçou ainda uma forte saudação a todos aqueles que construíram esta campanha, os militantes do PCP, da JCP, do PEV e aos muitos independentes que se juntaram. Foram milhares de activistas que, ao longo de meses, combateram num contexto desfavorável para construir o caminho que se impõe.

Importa agora continuar a desenvolver a luta contra o pacote laboral, pelo aumento dos salários e pensões, contra a destruição do SNS, pela valorização dos serviços públicos, pelo direito à habitação e pela paz e solidariedade entre os povos.

É desta luta que virá o necessário reforço do Partido, reforçando a sua ligação à vida e capacidade de intervir. «Podem contar com o Partido Comunista Português», pela «ruptura com a política de direita» e para «abrir o rumo daquilo que se impõe», a política alternativa, patriótica e de esquerda.

 

Declaração de António Filipe

«Caros amigos e caros camaradas, quero começar por saudar fraternalmente todos os eleitores que votaram na minha candidatura. Todos os eleitores que venceram os apelos à resignação, que não soçobraram perante a chantagem do medo e, sem ceder a desânimos, não desistiram de expressar claramente e convictamente o seu voto na minha candidatura.

Sabemos que o povo português vai ter de enfrentar grandes ameaças e desafios, mas também sabemos com quem podemos contar para os enfrentar com a coragem que é necessária. Fizemos uma campanha de que só temos de nos orgulhar.

Quero por isso enviar um abraço muito fraterno aos militantes do PCP, aos militantes do PEV e aos democratas sem filiação partidária que se associaram a esta campanha e que, com o seu apoio e presença, deram um exemplo de participação cívica e de mobilização pela democracia, em defesa da Constituição e da afirmação dos valores de Abril.

Foi uma campanha honesta, de verdade, feita com elevação, convictamente empenhada na valorização do debate democrático, afirmando com clareza e frontalidade o que queremos para o País e para o exercício do mandato presidencial. Uma campanha que optou pelo lado do trabalho e dos trabalhadores, uma campanha centrada na defesa e cumprimento da Constituição e da afirmação dos valores da Revolução de Abril.

O resultado obtido pela minha candidatura ficou aquém do que Portugal precisa e não permite alimentar a ideia de que o resultado destas eleições se traduza na expressão da vontade de mudança e um novo rumo de sentido progressista para a política nacional. Em face do pacote laboral que o Governo PSD-CDS pretende levar por diante, da degradação do Serviço Nacional de Saúde que está em curso, da negação do direito à habitação, dos ataques que se vão intensificar contra os direitos sociais consagrados na Constituição, o povo português terá de encontrar a força necessária para lutar contra esses propósitos reaccionários e, pela nossa parte, faremos parte dessa força.

O povo português vai enfrentar tempos exigentes. Estaremos convictamente ao seu lado, na luta pelos seus direitos, sem qualquer desânimo ou vacilação, desde já com o seu pronunciamento na segunda volta destas eleições presidenciais. A partir de amanhã estaremos cá com a mesma determinação e coragem com que fizemos esta campanha e com que estamos hoje, com a consciência tranquila e com a convicção de ter cumprido o nosso dever para com os trabalhadores, o povo e o País. Muito obrigado.»

 

PEV apela ao reforço da participação eleitoral

Em comunicado, no dia seguinte ao da primeiro volta das eleições presidenciais, o Partido Ecologistas “Os Verdes” realizou uma análise relativa às mesmas.

Em primeiro lugar, os ecologistas destacaram António Filipe como o «candidato que mais se sustentou na defesa da Constituição da República Portuguesa e dos valores e direitos que esta comporta», saudando a relevância e importância desta candidatura, mesmo não tendo tido um «resultado coincidente com a relevância dos valores que protagonizava». De seguida, lamenta-se o «tratamento tão desigual entre candidatos» que marcou este período eleitoral, «com algumas candidaturas a serem claramente silenciadas ou desvalorizadas pela comunicação social».

Por fim, afirma-se a «importância da participação eleitoral do próximo dia 8 de Fevereiro» para rejeitar o «caminho da ascensão da extrema-direita no nosso País e da forte ameaça que esta representa para a defesa da democracia e da Constituição da República Portuguesa». A segunda volta não se trata de uma «opção entre esquerda e direita», mas sim a «necessidade de defender a democracia», «pelo que o voto em António José Seguro é aquele que poderá garantir a derrota do candidato que representa a intolerância, os discursos de ódio, a arrogância e a ameaça aos valores democráticos».

 

 



Mais artigos de: Em Foco

Comunicado do Comité Central do PCP

O Comité Central do PCP, reunido a 20 de Janeiro de 2026, procedeu à análise das eleições para Presidente da República, apreciou desenvolvimentos da situação nacional e internacional e abordou aspectos da actividade, iniciativa política e reforço do Partido.


Resultados eleitorais

Publicamos os resultados das eleições para Presidente da República, realizadas no dia 18 de Janeiro, segundo os dados do escrutínio provisório, divulgados pela Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (Administração Eleitoral) e publicados também no site www.presidenciais2026.mai.gov.pt. Faltava concluir a...