- Nº 2721 (2026/01/22)

Centenas manifestam-se contra acordo Mercosul

Europa

Perto de mil agricultores europeus manifestaram-se, durante a manhã de terça-feira, frente à sede do Parlamento Europeu. Estes protestos surgem no seguimento da assinatura do acordo Mercosul, no passado dia 17, no Paraguai.

Após as manifestações realizadas logo após a assinatura do acordo Mercosul, no passado sábado, perto de mil trabalhadores juntaram-se, no dia 20, junto à sede do Parlamento Europeu para o recusar. Este acordo, tal como o PCP já denunciou, beneficia as multinacionais do agro-negócio, da indústria e dos serviços, à custa da soberania económica e alimentar, da produção nacional e do emprego.

Nesta manifestação convocado pela FNSEA (Frente Nacional dos Sindicatos de Exploração Agrícolas Franceses) os agricultores dos diferentes países da UE afirmaram a necessidade de impedir a entrada em vigor deste acordo que, segundo este sindicato, «não pode ser tratado como mais um acordo comercial».

Recusar a submissão
A luta dos trabalhadores face a este acordo entra em choque com o optimismo demonstrado pela Comissão Europeia que, num comunicado recente, afirma que este «proporcionará novas e substanciais oportunidades comerciais para as empresas de toda a UE, ao mesmo tempo que apoia centenas de milhares de empregos». Esta dissonância prova, mais uma vez, o profundo antagonismo entre os objectivos da UE e da PAC e os interesses dos povos e dos agricultores, nomeadamente em matéria de soberania alimentar.

Intervindo no Parlamento Europeu, João Oliveira denunciou as consequências nefastas deste acordo, apontando o caminho alternativo que se exige. O deputado comunista afirmou que os agricultores protestam pois este acordo ameaça a «liquidação de dezenas de milhares de explorações agrícolas familiares», a «redução dos rendimentos» e o «agravamento da dependência alimentar». Face a este acordo, foi apresentada uma proposta com três componentes: suspender a decisão deste acordo entrar em vigor provisoriamente, pedir aos parlamentos nacionais que se pronunciem sobre o acordo e não avançar com o processo de regulamentação ou aplicação das suas regras ou normas até que este pronunciamento esteja concluído.