CNA reclama melhores preços à produção

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) voltou a denunciar as profundas injustiças na distribuição de valor ao longo da cadeia agro-alimentar, que penalizam simultaneamente agricultores e consumidores.

Confederação voltou a exigir alterações legislativas

O alerta foi deixado na reunião da Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Agroalimentar (PARCA), realizada na passada semana, em Lisboa. Na ocasião, a CNA reiterou reclamações e apresentou propostas para resolver um problema estrutural que se arrasta há demasiado tempo.

Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que, entre Dezembro de 2024 e Dezembro de 2025, o índice de preços dos produtos alimentares não transformados aumentou cerca de 6 pontos percentuais (p.p.) para o consumidor, enquanto os preços pagos ao produtor registaram uma queda superior a 11 p.p. entre Dezembro de 2024 e Setembro de 2025. Nos últimos quatro anos, o índice de preços destes produtos subiu 28 p.p., mas o rendimento da actividade agrícola manteve-se praticamente estagnado. Pelo contrário, dados provisórios do INE apontam mesmo para uma quebra de 10,7% em 2025.

Lucros só para a grande distribuição
Em sentido inverso, sublinha a CNA, a grande distribuição tem apresentado aumentos significativos de lucros, reforçando a concentração do comércio agro-alimentar e avançando também para a produção de carne, leite e frutas. Segundo a Confederação, estas desigualdades resultam, em grande parte, da diferença entre os preços cobrados aos consumidores e os valores pagos aos agricultores, frequentemente abaixo dos custos de produção.

Na reunião da PARCA, a CNA recordou que a própria Comissão Europeia, no relatório de avaliação da Directiva sobre Práticas Comerciais Desleais, defende que os agricultores não devem ser obrigados a vender sistematicamente abaixo dos custos de produção. A Confederação voltou a exigir alterações legislativas nesse sentido, à semelhança do que já acontece em países como Espanha.

A CNA reclamou ainda uma fiscalização mais eficaz e transparente da aplicação da Directiva, lamentando a escassez e contradição de informação nos relatórios nacionais sobre práticas comerciais desleais. Paralelamente, defendeu a promoção dos circuitos curtos agro-alimentares, nomeadamente através da inclusão de produtos da agricultura familiar nas compras públicas para escolas, hospitais e outras instituições.



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