- Nº 2721 (2026/01/22)
O Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) apelou à mobilização dos utentes de todo o País em defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS), denunciando o que considera serem «violentos ataques» à saúde dos portugueses e anos de desinvestimento no sector público.
Em comunicado divulgado no passado dia 17, o MUSP alerta para a morte de utentes por falta de assistência, os longos tempos de espera nos Hospitais e Centros de Saúde, a escassez de médicos de família, os partos realizados em ambulâncias e o encerramento de especialidades hospitalares. Para o Movimento, estes problemas não resultam do aumento do número de utentes nem da incapacidade intrínseca do SNS, mas antes de uma política deliberada de degradação do serviço público e de transferência da saúde para o negócio privado, «onde a triagem é feita pelo cartão de crédito».
Transferência para os privados
O MUSP aponta como exemplo a transferência de verbas do Orçamento do Estado (OE) para entidades privadas, através da entrega de serviços que poderiam ser assegurados pelo SNS e do investimento em equipamentos nos hospitais públicos posteriormente entregues a privados ou às misericórdias, como aconteceu nos Hospitais de Vila Franca de Xira e de Braga.
Segundo o Movimento, a supressão de serviços e urgências resulta também da falta de condições de trabalho dos profissionais de saúde, empurrando médicos e enfermeiros para o sector privado. Em 2025, refere o MUSP, o Governo limitou a contratação no SNS ao impor um crescimento máximo de 1,9% no quadro de pessoal, reduzindo o recrutamento face a anos anteriores.
Situação agrava-se
Já em 2026, o Governo terá agravado a situação ao concentrar urgências em hospitais específicos, obrigando profissionais e utentes a deslocações até 60 quilómetros. O MUSP denuncia a violação de condições contratuais e práticas ilegais, situação igualmente denunciada pela Federação Nacional dos Médicos, contribuindo para a saída de profissionais do SNS.
O comunicado sublinha ainda episódios recentes nas urgências hospitalares, com doentes transportados pelo INEM e pelos Bombeiros a aguardarem nas macas das ambulâncias, e casos extremos como o de um doente oncológico em estado terminal colocado no chão de um hospital. A retenção das macas, acrescenta o MUSP, compromete a capacidade operacional dos Bombeiros, atrasando respostas a novas emergências e colocando vidas em risco.
Perante este cenário, o MUSP exorta os utentes a organizarem-se em torno das comissões de utentes existentes e a criarem novas estruturas onde estas não existam, reforçando a luta em defesa do SNS.