Imperialismo

Filipe Diniz

Ao discursar na multitudinária homenagem aos 32 heróis cubanos caídos no criminoso ataque dos EUA contra a Venezuela, o presidente Diaz Canel diz: «O povo de Cuba não é anti-imperialista por manual. O imperialismo fez-nos anti-imperialistas.»

Afirmação a reter. Se há categoria estudada pelo marxismo-leninismo que é necessário conhecer e analisar em profundidade nos tempos que correm é a de imperialismo. Para o discurso dominante, ou o conceito é deliberadamente deturpado ou desapareceu. Há até uma velha fraude ressuscitada (v. “Público” 11.01.2026): a de tratar o combate contra o imperialismo EUA de “anti-americanismo”. Na prática o equivalente a chamar anti-semitismo ao anti-sionismo.

Serve para confundir o que está em causa: «o imperialismo é a época do capital financeiro e dos monopólios, que trazem consigo, em toda a parte, a tendência para a dominação, e não para a liberdade», escreve Lénine. Mestre que é da dialéctica, ao enunciar os cinco traços fundamentais do imperialismo adverte do «carácter condicional e relativo de todas as definições em geral, que nunca podem abranger, em todos os seus aspectos, as múltiplas relações de um fenómeno no seu completo desenvolvimento».

Os “traços fundamentais” leninistas são tão válidos hoje como quando os enunciou. Mas o “desenvolvimento do fenómeno” não cessou, como previu. Agudizou-se a sua agressividade, agudizaram-se as suas contradições internas. E, com todas as dificuldades, avanços e recuos, não cessou a luta pela emancipação popular e nacional, sempre necessariamente anti-imperialista, como confirma a heróica Revolução Cubana.

Nenhum anti-imperialista o será verdadeiramente se não souber distinguir o inimigo principal, em toda a acção que este leva a cabo.

Nota: No texto da semana passada é mencionado Tribunal Penal Internacional, em vez de Tribunal de Justiça Internacional. O TPI, que nem existia na altura, é uma criação dos EUA que nunca proferiria tal condenação.



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