- Nº 2721 (2026/01/22)
«Homenageamos o comunista dedicado e firme, o cientista prestigiado, o cidadão empenhado e generoso», condições indissociáveis na vida de Frederico de Carvalho – afirmou João Ferreira, da Comissão Política, num jantar de comemoração dos seus 90 anos, promovido pelo PCP no sábado em Lisboa. Estiveram presentes familiares, amigos, colegas de trabalho, camaradas de Partido e companheiros de tantas frentes de intervenção a que Frederico de Carvalho se dedica e dedicou – do Conselho Português para a Paz e Cooperação à Organização dos Trabalhadores Científicos, a cuja direcção preside. Muitos outros, não podendo estar fisicamente, enviaram saudações. Entre eles, personalidades que integraram os órgãos da Federação Mundial dos Trabalhadores Científicos, da qual o homenageado foi durante muito anos vice-presidente e é, agora, presidente do seu Conselho Executivo.
João Ferreira evocou os 50 anos de empenhada militância de Frederico de Carvalho, em tempos que «puseram e põem à prova a firmeza de princípios e convicções», e lembrou o seu percurso académico e profissional: da licenciatura em Energia Electrotécnica pela Universidade do Porto, em 1959, e do Doutoramento em Engenharia Nuclear na Alemanha até à entrada no Laboratório de Física e Engenharia Nucleares (LFEN), em 1961, de cujo Departamento de Física foi director, e à presidência do Conselho Científico do Instituto Tecnológico e Nuclear, sucessor do LFEN.
Como sublinhou o dirigente comunista, esses foram anos em que a Ciência e a Tecnologia, «para o bem e para o mal (…) assumiram um acelerado protagonismo em todo o mundo» e os investigadores – e, em geral, os trabalhadores científicos – não podiam ser indiferentes a isso. Os criadores do saber científico e os responsáveis pela sua tradução em inovações tecnológicas foram, eles mesmos, os primeiros a alertar e a assumir a sua responsabilidade social em pugnar pela boa aplicação desse saber para fins pacíficos. Frederico de Carvalho, na esteira de Fredéric Joliot-Curie e tantos outros, empenhou-se na Federação Mundial dos Trabalhadores Científicos e, em Portugal, na Organização dos Trabalhadores Científicos, criada já após a Revolução de Abril.
Agradecendo a presença de todos, Frederico de Carvalho afirmou que «ainda não me reformei. O trabalho, quando se trabalha com gosto, dá sentido à vida e é saudável». O que o move, acrescentou, «é procurar ser útil». Talvez porque, «egoísticamente, isso me faz feliz, juntando assim o útil ao agradável».