A urgência da luta pela paz na actualidade
Precisamos que a causa da paz seja mais enriquecida e o movimento da paz mais reforçado
Os perigosos e preocupantes desenvolvimentos da situação internacional colocam ainda maiores desafios a todos quantos defendem a emergência de pôr fim à confrontação, à escalada armamentista, à guerra e lutam para que se abram caminhos para a paz, o diálogo, a solução política dos conflitos, conscientes da necessidade da construção de um mundo de paz como condição para o futuro da Humanidade.
Vivemos num mundo cada vez mais instável e perigoso. Os EUA – com o apoio dos seus aliados, nomeadamente do G7, da NATO, da UE e de países como Israel – recorrem à guerra e ao militarismo para procurarem suster o seu declínio relativo, particularmente visível a nível económico.
Na América Latina e Caraíbas, a agressão militar de 3 de Janeiro dos EUA à Venezuela Bolivariana, com o sequestro do seu Presidente Nicolás Maduro e da sua esposa, a deputada Cília Flores, numa inaceitável violação à Carta das Nações Unidas e ao direito internacional, a que se soma o agravamento do bloqueio contra Cuba e as ameaças a Cuba, à Colômbia, México, ou ao Brasil, são novos e graves elementos da política de domínio da região pelos EUA.
No Médio Oriente, continua o genocídio do povo palestiniano, que não terminou com o “cessar-fogo” de Outubro passado, continuando Israel a ocupar militarmente Gaza e a bombardear e matar, a impedir a entrada da necessária ajuda humanitária, a aumentar o número de colonatos na Cisjordânia e Jerusalém Oriental, enquanto continuam os ataques e a ocupação de territórios do Líbano e da Síria e as ameaças ao Irão.
No Leste da Europa prossegue uma guerra iniciada em 2014, que poderia ter sido evitada e que devia ter terminado há muito, não fosse a constante sabotagem da via negocial e a aposta permanente no prolongamento e agravamento do conflito.
Mas se as ameaças são muitas, e graves, é também crescente a afirmação soberana de países e povos, a reivindicação da solução pacífica dos conflitos, as movimentações populares contra o aumento das despesas militares – milhares de milhões que deviam ser utilizados para assegurar a melhoria das condições de vida dos trabalhadores e dos povos.
Acção imprescindível que urge intensificar
Neste quadro é de grande importância toda a acção que tem sido desenvolvida pelo movimento da Paz no nosso país, com um vasto conjunto de iniciativas: a grande manifestação nacional de 18 de Janeiro de 2025; o IV Encontro pela Paz, em 31 de Maio no Seixal, com mais de 100 organizações e 1000 participantes; as sessões, debates, concertos pela Paz e muitas iniciativas culturais, a educação e a cultura para a paz, a luta dos trabalhadores por melhores condições de vida e de trabalho e defesa dos direitos; e, no plano da solidariedade com os povos vítimas de agressão, conflitos ou bloqueios, a campanha de solidariedade com a Palestina “Todos pela Palestina! Fim ao genocídio! Fim à ocupação!”, que juntou mais de 150 organizações; a exigência do fim da agressão à Venezuela Bolivariana e aos povos da América Latina e Caraíbas, que se tornou agora ainda mais premente; a campanha “Por Cuba! Fim ao bloqueio!”; a solidariedade com a luta pela autodeterminação do povo saarauí, são disso exemplo.
É fundamental aumentar a acção geral pela paz e o desarmamento, procurando romper o bloqueio mediático, exigindo que seja respeitada e cumprida a nossa Constituição, ao invés da submissão do governo aos EUA, NATO e UE, como se verificou nomeadamente com as opções no orçamento para a “Defesa”, no muito tardio reconhecimento do Estado da Palestina ou, agora, na vergonhosa posição do Governo sobre a agressão militar dos EUA à Venezuela.
A paz é um direito e uma condição essencial à vida humana. Num momento em que são promovidas e se procuram afirmar concepções e forças retrógradas, xenófobas e fascizantes, pondo em causa a liberdade, a democracia e a paz, os princípios do direito internacional e a Constituição de Abril, é ainda mais importante a defesa dos valores de Abril e a nossa Constituição.
Porque precisamos que a causa da paz seja mais enriquecida e o movimento da paz mais reforçado para enfrentarmos os desafios que temos pela frente, o CPPC decidiu dinamizar uma grande campanha nacional em defesa da paz. Com a confiança de que um mundo melhor é possível, um mundo de liberdade, soberania, democracia, progresso social e paz.




