Confiança e luta por um novo rumo para o País
O combate à ofensiva reaccionária, a rejeição do pacote laboral e a afirmação de outro rumo para o País foram alguns dos temas abordados no grande comício do PCP na Voz do Operário, Lisboa, no sábado passado.
«Podem contar com o PCP!»
Eram bandeiras. Eram panos. Eram cadeiras. Eram as luzes no palco. Era uma faixa que gritava contra o pacote laboral. O vermelho é a cor que rima com o sangue derramado nas lutas históricas da humanidade por direitos e justiça. É, portanto, a cor do PCP.
Naquela tarde, o calor da «rubra bandeira», como canta a canção, fez jus ao calor humano de centenas de pessoas, comunistas e amigos do Partido, que encheram numa maré vermelha de força e determinação o grandioso salão da Voz do Operário.
«Trabalhadores, uni-vos», reza uma das paredes do espaço. Poucos palcos são tão propícios para um comício de gente que, nas palavras de Paulo Raimundo «carrega às costas, todos os dias, este Partido e a luta dos trabalhadores, das populações e da juventude», fazendo «boa cara ao mau tempo» que grassava na rua, e sabendo que o País precisa é de «ruptura e mudança». Que é como quem diz, «Prá frente na luta / Até à vitória», como afirmou Adriano Correia de Oliveira numa das suas músicas, cantada, no início do comício, por Sofia Lisboa, acompanhada de Manuel Pires da Rocha e Pedro Salvador.
O que fica de fora
Para Paulo Raimundo, não será a segunda volta das presidenciais que desenlaçará o nó da política de direita. «Sem ilusões», muitos assuntos ficarão de fora, como os 30 milhões de lucros diários de 19 grupos económicos ou o pacote laboral.
Por isso, sublinhou, é fundamental a decisão do PCP de desenvolver, nas próximas semanas, uma ampla acção de contacto com os trabalhadores, as populações e a juventude (ver caixa), «em torno da realidade e dos problemas que afectam a maioria».
O reforço do Partido é, neste contexto, essencial, e foi abordado por Ana Sofia Correia, dirigente regional em Lisboa, que explicou alguns dos objectivos do plano de trabalho do PCP no distrito, e pela jovem Pilar Morais, que assegurou que a JCP está mobilizada e «pronta para o combate».
O voto contra a reacção
«Votar contra Ventura não significa apoiar Seguro nem o seu posicionamento», explicou, acrescentando não se poder«ignorar os perigos que resultariam de entregar a Presidência a alguém que tem como objectivo expresso liquidar o regime democrático e promover valores e concepções fascizantes».
Ventura, lembrou, «fala nos trabalhadores, mas o que quer é dividi-los e aumentar a exploração». Também fala na saúde, mas pretende a destruição do SNS, e na corrupção mas defende «o regime mais corrupto que o País conheceu, o fascismo».
«Fala das minorias para esconder o seu compromisso com uma minoria cada vez mais rica e poderosa». «Fala do seu amor à pátria, mas cala-se perante o crescente domínio pelo grande capital estrangeiro, é subserviente à UE e alinha com as imposições e projectos do imperialismo norte-americano e a agenda de Trump».
A ofensiva adensa-se
«Os desenvolvimentos recentes confirmam a intensificação da ofensiva nos planos político, económico, social e cultural que, a partir da acção do Governo PSD/CDS, suportada no apoio de CH e IL e contando com a cúmplice permissividade do PS, prossegue a concretização da agenda do grande capital, visando a defesa e promoção dos seus interesses directos», destacou o Secretário-Geral.
Assim é, referiu, na saúde, com os inúmeros problemas resultantes do ataque ao SNS, mas, também, na educação, onde se acentua a falta de professores. Na habitação, onde se continuam a aprovar benefícios fiscais que só promoverão a especulação imobiliária. Na entrega ao capital de alavancas estratégicas do desenvolvimento nacional, em particular o anunciado negócio entre a Galp e a Moeve. E, ainda, na aposta no pacote laboral e na recusa em subir salários e pensões.
Esta ofensiva, frisou, «tem no plano ideológico uma intensa e articulada acção que, a partir de poderosos meios, visa a promoção de concepções favoráveis à agenda do grande capital e das forças reaccionárias».
Participado jantar em Coimbra
No dia anterior, 23, o Grupo Folclórico e Etnográfico de Arzila, Coimbra, recebeu, mais de trezentos participantes num jantar regional regado a combatividade, onde também interveio o Secretário-Geral, para denunciar a ofensiva contra o País. E exemplificou com os 1741 milhões de euros de benefícios para residentes não habituais, três vezes o valor do orçamento para a cultura.
O dirigente comunista Vladimiro Vale destacou a necessidade de reforçar o Partido no distrito, desde logo na preparação da 11.ª Assembleia da Organização Regional de Coimbra, a 16 de Maio, permitindo analisar a realidade e elaborar novas linhas de trabalho. O jovem Afonso Silva realçou a necessidade de reforçar a JCP na região: «Aproximar amigos, ir a novos locais de trabalho, a mais faculdades e a mais escolas».
Um outro rumo
Tal como anunciou o Secretário-Geral, o PCP continuará a intervir com uma campanha de contactos junto dos trabalhadores e do povo, subordinada ao lema «Outro rumo para o País! Basta de exploração e injustiças».
No folheto referente à acção, o Partido lembra que com o ano novo, veio uma «nova machadada em salários que já eram baixos», fruto do aumento dos preços. Em contraste, somam-se os lucros dos grupos económicos.
O folheto dá centralidade à luta contra o pacote laboral, que tem de cair, no que representa de promoção de despedimentos, precariedade e ataque aos salários. Destaca-se, ainda, a luta em defesa do SNS.
Para isto, e também para rejeitar a candidatura de André Ventura, candidato «da mentira, da intolerância e do retrocesso» ao serviço da reacção, o folheto frisa a necessidade de reforçar o Partido, dando mais força à luta contra a exploração e as injustiças. «Podem contar com o PCP!», afirma-se.




