- Nº 2722 (2026/01/29)
O assalto israelita e a demolição de estruturas na sede da Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA), em Jerusalém, provocaram a condenação do povo palestiniano.
Num comunicado divulgado em Ramala, no dia 21, as autoridades palestinianas condenaram o ataque contra a sede da UNRWA, executado na véspera contra as instalações situadas no bairro palestiniano de Sheikh Jarrah, na zona ocupada de Jerusalém Oriental. Tal ataque enquadra-se na sistemática política israelita de impedir a acção da UNRWA e representa uma clara violação das leis internacionais, denunciaram.
O Ministério dos Assuntos Externos e Expatriados declarou que a demolição constitui uma violação das obrigações de Israel, como potência ocupante, em particular no que diz respeito à garantia do funcionamento sem limitações dos organismos humanitários internacionais. E realçou igualmente que nenhuma legislação ou decisão de Israel tem efeitos legais sobre o estatuto jurídico do organismo.
Também o Conselho Nacional Palestiniano condenou o ataque israelita, assinalando que constitui um precedente muito perigoso e representa uma escalada organizada contra a acção e a própria existência da UNRWA. Recordou que essa agência da ONU presta serviços de saúde e educação a milhões de palestinianos tanto nos territórios ocupados como nos países vizinhos, entre os quais a Jordânia, a Síria e o Líbano.
Hoje na Palestina, amanhã noutro lado…
A Organização das Nações Unidas (ONU) denunciou a demolição por Israel de estruturas no interior do complexo da UNRWA, na zona ocupada de Jerusalém Oriental.A agência noticiosa palestiniana Wafa reportou no próprio dia 20 que numerosas forças militares cercaram a zona, após o que escavadoras entraram no imóvel e levaram a cabo a demolição.
O comissário geral da UNRWA considerou que se trata de um ataque sem precedentes e de uma violação deliberada do direito internacional. Tal como todos os Estados membros da ONU, Israel é obrigado a proteger e respeitar a inviolabilidade das instalações do organismo, recordou. Também apontou que a demolição ocorre depois da aprovação por Israel de outras medidas contra a UNRWA, entre elas o fecho de um centro hospitalar e o anúncio do corte do fornecimento de água e electricidade às suas instalações.
Estas acções israelitas, juntamente com os ataques anteriores e uma campanha de desinformação em grande escala, contradizem a sentença em Outubro do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), a qual reafirmou que Israel está obrigado, em virtude do direito internacional, a facilitar as operações da agência e não a obstaculizar nem impedir a sua acção. O TIJ também realçou que Israel não tem jurisdição sobre Jerusalém Oriental, sublinhou o comissário geral da UNRWA.
«Não pode haver excepções. Isto deve ser uma chamada de atenção. O que ocorrer hoje à UNRWA sucederá amanhã a qualquer outra organização internacional ou missão diplomática, seja no território palestiniano ocupado, seja em qualquer outra parte do mundo», acrescentou.
Maior ocupação israelita na Faixa de Gaza
O director da rede de ONG palestinianas na Faixa de Gaza acusou Israel de aproveitar o cessar-fogo para ampliar o seu controlo do território. O activista assinalou que, ao entrar em vigor o cessar-fogo, em 10 de Outubro do ano passado, o exército israelita ocupava 53% da Faixa e que agora a percentagem aumentou para 60%.
O seu alargamento inclui grandes áreas residenciais, desde a cidade de Rafah, no sul, até Beit Lahia e Beit Hanoun, no norte, além de zonas orientais da cidade de Gaza, onde os militares israelitas continuam as suas acções de destruição e expansão.
As forças armadas ocupantes utilizaram o cessar-fogo para expandir-se por zonas residenciais palestinianas na Faixa de Gaza. Mais de 2,2 milhões de pessoas vivem numa área que não ultrapassa os 90 quilómetros quadrados, o que agrava a crise humanitária no território, vincou. A propósito desta situação, afirmou que 90% dos palestinianos que vivem no território dependem da ajuda internacional para a sua vida diária.
Também criticou a sistemática destruição da infra-estrutura, em especial as redes de água e esgotos, assim como o bloqueio israelita que impede o ingresso na Faixa de Gaza dos materiais necessários para reabilitar as suas infra-estruturas básicas.