Brasil: MST renova direcção nacional e anuncia apoio à reeleição de Lula
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Brasil formalizou a composição da nova direcção nacional, com 175 membros, para um mandato de três anos. A decisão foi adoptada pelos três mil delegados do 14.º Encontro Nacional do MST, realizado em Salvador da Baía entre 19 e 23 deste mês. Na última sessão, identificou-se como a principal acção política de 2026 apoiar a reeleição do presidente Lula da Silva, nas eleições de Outubro.
Lula participou no acto de encerramento do Encontro e fez uma intervenção em que confirmou a candidatura à reeleição, defendeu o seu projecto político e destacou o papel histórico do MST ao longo de 42 anos.
Enumerou os avanços económicos e sociais alcançados no actual mandato, como a redução do desemprego, o crescimento das exportações e do investimento, o aumento do salário mínimo e a recuperação de sectores estratégicos. «Temos o desemprego mais baixo da história do Brasil e o maior número de trabalhadores e actividades», destacou. Sublinhou a importância histórica do MST e a sua contribuição para o desenvolvimento do Brasil, e agradeceu ao movimento décadas de luta pela terra, pela produção de alimentos e pela justiça social.
Saudação do PCP ao MST
O PCP enviou uma mensagem com saudações fraternas e solidárias ao 14.º Encontro Nacional do MST e, por seu intermédio, a toda a militância do movimento, «desejando o maior sucesso aos seus trabalhos, no interesse do fortalecimento da luta travada pelo MST em defesa dos direitos dos trabalhadores sem terra, pela terra e a Reforma Agrária Popular, assim como das massas trabalhadoras e populares brasileiras».
Na sua mensagem e entre outros aspectos, o PCP sublinha que o 14.º Encontro Nacional do MST se realiza no contexto de uma «situação internacional em que têm lugar crescentes ameaças para a soberania e os direitos dos povos, para a paz e a segurança mundiais». Refere que o sério agravamento da situação internacional, «evidencia a natureza exploradora, opressora, predadora e agressiva do capitalismo e é reflexo do aprofundamento da sua crise estrutural, em que avulta o declínio relativo dos EUA e das potências imperialistas com assento no G7». E realça: «Este é um momento complexo e perigoso, em que o imperialismo, particularmente o imperialismo norte-americano, tenta contrariar, por todos os meios ao seu alcance, a perda de hegemonia, recorrendo à coerção, ao militarismo e à guerra – incluindo pela prática dos mais hediondos crimes, veja-se o genocídio do povo palestiniano –, assim como à promoção de forças de extrema-direita, fascizantes, antidemocráticas. Uma violenta ofensiva, que é acompanhada pelo ataque do grande capital aos direitos laborais e sociais e o saque privatizador dos serviços públicos e dos recursos naturais».
Para os comunistas portugueses, «tal como a história mostra, apenas a força da mobilização, resistência, luta e solidariedade internacionalista dos trabalhadores e dos povos, em defesa dos seus direitos, dignidade e soberania, pode pôr fim à barbárie, ao retrocesso social e à escalada de confrontação e guerra para onde o imperialismo empurra a Humanidade». Por isso, constitui um imperativo «o reforço das forças revolucionárias, progressistas e patrióticas, e a sua convergência numa ampla frente anti-imperialista que trave o passo ao imperialismo e à sua agenda belicista e reaccionária e abra caminhos à paz e ao progresso social».




