Domingos Abrantes é «exemplo de coragem»
Largas dezenas de camaradas celebraram, na segunda-feira, dia 26, o 90.º aniversário de Domingos Abrantes, resistente antifascista e «exemplo» para várias gerações de militantes. Com mais de 70 anos de dedicação à causa da libertação do povo e dos trabalhadores, o colectivo partidário continua a não dispensar o seu contributo, salientou Paulo Raimundo.
Dos seus 90 anos de vida, Domingos Abrantes entregou 72 ao Partido e à luta
Pese embora os longos anos de trabalho em que Domingos Abrantes assumiu as mais diversas e determinantes tarefas, como disse Paulo Raimundo, o Partido continua a contar consigo «para tudo o que for necessário». O Secretário-Geral intervinha no final do convívio que assinalou o 90.º aniversário do destacado militante comunista.
Depois de um almoço que contou com cerca de 150 camaradas, amigos e familiares, na Sede Nacional do PCP, marcado por um ambiente de grande alegria e camaradagem, Paulo Raimundo elencou alguns feitos mais marcantes da vida do resistente antifascista, quando aderiu ao Movimento de Unidade Democrática (MUD) Juvenil em 1953; um ano depois, em 1954, aderiu ao Partido, outro passo fundamental que definiu toda a sua vida de revolucionário. «Camarada Domingos, és um exemplo para várias gerações e a tua vida é uma demonstração de que a realidade aí está para ser transformada», salientou o Secretário-Geral. Sobretudo, acrescentou, para os mais jovens que, tal como ele, «continuam a enfrentar, com coragem, a ideologia dominante» e que «decidem organizar-se e envolver-se» porque não se «conformam com o que sentem nas suas escolas, bairros, locais de trabalho, no País e no mundo».
«A batalha destes dias trava-se numa realidade diferente, mas o objectivo que abraçamos é, e só poderia ser, o mesmo: resistir e avançar, tomar a iniciativa por Abril, pela democracia e pelo socialismo e comunismo», afirmou.
Exemplo de coragem
Paulo Raimundo recordou ainda as difíceis condições com que Domingos Abrantes, e tantos outros, intervieram na clandestinidade; os seus longos 11 anos passados nas cadeias fascistas, sujeito à tortura física e psicológica; a incrível fuga, acompanhado de sete outros camaradas, da cadeira de Caxias; as suas tarefas junto das tipografias clandestinas do Avante!; o seu julgamento no Tribunal Militar de Lisboa em que rechaçou as mais miseráveis acusações e defendeu, «com muito orgulho», o seu Partido; as responsabilidades assumidas enquanto dirigente, deputado, membro do Conselho de Estado; o seu envolvimento na abertura do Museu do Aljube e do Museu Nacional de Resistência e Liberdade na Fortaleza de Peniche; ou as centenas de sessões por escolas por todo o País, dando a conhecer aos jovens o que foi o fascismo. «Deste e dás um exemplo de coragem. Dessa coragem que só é possível para quem tem um objectivo maior que a sua própria vida», terminou.
Mais futuro do que passado
Com profunda modéstia, Domingos Abrantes, admitiu ter escrito três intervenções diferentes para demonstrar a sua dificuldade em agradecer aquela singela homenagem.
«Eu disse, há dez anos atrás, que quando se chega aos 80 anos, a tendência é a de olhar mais para trás do que para a frente. O que se percebe, mas curiosamente, aos 90 anos, olho mais para a frente do que para trás», admitiu, afirmando que todo o seu pensamento, preocupações e reflexões sobre o destino do Partido e da luta, são «voltadas para a frente». «Acho que dei o meu melhor ao Partido, o melhor que tinha na minha vida, o possível pelo menos. O que sou, sou porque sou comunista. Devo-o ao Partido e porque tive a felicidade de o encontrar», afirmou.
Fascismo é perigo real
«Vivemos uma situação extremamente difícil e perigosa, que nos coloca complexos problemas nos planos políticos, da organização e ideológicos. E, dada a actual arrumação de forças no País e no mundo, as soluções são mais distantes e difíceis», afirmou, acrescentando que o perigo do fascismo é «real» e «deve ser levado a sério».
Acresce a isto as forças que «se dizem de esquerda e socialistas», que se «recusam a assumir que o renascimento do fascismo e do militarismo radica na crise do capitalismo». «O nosso Partido», continuou, «assume enormes responsabilidades», pois «nenhuma outra força política tem vontade e condições para fazer frente à grave situação», desde logo «pela sua natureza de classe, coerência política e prática».
Contributo insubstituível
Domingos Abrantes dirigiu ainda um agradecimento à sua companheira, Conceição Matos, com quem partilha a sua caminhada há 64 anos: «uma camarada sempre de cabeça erguida, sempre confiante, de convicções à prova de bala, mesmo nos momentos mais trágicos e dolorosos».
Antes de terminar firmou um compromisso com os presentes e com o Partido: «enquanto cá estiver, vou continuar a dar a minha contribuição à luta pelo reforço do Partido, pelo socialismo e o comunismo».




