Prejuízos na agricultura e na floresta ultrapassam cenários mais pessimistas

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) alerta para prejuízos de muitas dezenas de milhões de euros na agricultura e na floresta, na sequência da tempestade Kristin e das condições climatéricas adversas.

«Os prejuízos ultrapassam as muitas dezenas de milhões»

Lusa

Numa audição da Comissão de Agricultura da Assembleia da República, realizada no passado dia 3, dedicada aos apoios ao sector agrícola e florestal, a CNA alertou para a gravidade da situação vivida na região centro do País, fortemente afectada pelos impactos da tempestade Kristin e pela persistência de condições climatéricas adversas.

No dia seguinte, o Conselho Nacional da CNA concluiu que as previsões mais pessimistas se estão a confirmar, com os prejuízos globais a ultrapassarem largamente os registados noutros eventos catastróficos dos últimos anos. Segundo a Confederação, «no que diz respeito à agricultura e às florestas os prejuízos ultrapassam as muitas dezenas de milhões», envolvendo perdas de culturas permanentes, como olivais, culturas temporárias – nomeadamente hortícolas e cereais de Outono-Inverno –, destruição quase total de numerosas estufas, muros, caminhos rurais, instalações pecuárias e outras estruturas produtivas.

A CNA sublinha ainda a devastação de extensas áreas florestais, onde muitas árvores partiram a meio ou foram arrancadas pela raiz, agravando a vulnerabilidade do território e criando novos riscos ambientais e económicos para as populações rurais.

Medidas insuficientes

Neste quadro, a Confederação considera que as medidas anunciadas pelo Governo são, uma vez mais, insuficientes e carecem de clarificação. Entre as principais críticas, a CNA defende que os apoios devem assumir a forma de financiamento a fundo perdido, rejeitando o recurso a linhas de crédito num sector já fortemente descapitalizado e, em muitos casos, endividado.

A Confederação alerta igualmente para as limitações da medida de Restabelecimento do Potencial Produtivo no âmbito do PEPAC, cuja dotação efectiva disponível será de apenas 6 milhões de euros, apesar do anúncio de um envelope global de 40 milhões, e para o facto de a taxa de compromisso do programa estar próxima dos 100%, o que comprometerá o investimento futuro na agricultura e na floresta.

Situação verdadeiramente excepcional

Perante uma situação que classifica como verdadeiramente excepcional, a CNA defende que os apoios não devem ser assegurados à custa do PEPAC, recordando que, após os incêndios de 2017, o Estado disponibilizou verbas extraordinárias fora dos programas regulares. A Confederação reclama ainda o alargamento das medidas de apoio a todos os agricultores e produtores florestais afectados, para além dos 68 concelhos inicialmente anunciados.

Entre as exigências apresentadas constam a actualização das tabelas de referência para o levantamento de prejuízos, a criação de uma ajuda simplificada, a 100%, para prejuízos até 15 mil euros, a activação de derrogações junto da Comissão Europeia para salvaguardar as ajudas da PAC e a criação de mecanismos de apoio à perda de rendimento, particularmente relevante nas culturas permanentes.

A CNA volta também a insistir na necessidade urgente de criar Seguros Agrícolas Públicos, adequados à realidade da Agricultura Familiar, face às crescentes dificuldades dos agricultores em contratar seguros multirriscos no mercado privado.

 



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