Todos por Cuba!

Ângelo Alves

Cuba está a resistir

Era uma questão de tempo até à administração Trump tomar a decisão de intensificar ainda mais a política de agressão e bloqueio a Cuba. A ordem executiva de Trump contra Cuba, assente num rol de descaradas mentiras, e que usa a já conhecida arma das tarifas, eleva para patamares ainda mais criminosos o cerco económico e energético a Cuba. Tal decisão representa um novo e gravíssimo passo na política dos EUA que, diga-se, não é nova. Há mais de 60 anos que as sucessivas administrações norte-americanas impõem um bloqueio ilegal e desumano contra aquele país e aquele povo. O objectivo é o mesmo de sempre e está plasmado no tristemente célebre Memorando Mallory do Departamento de Estado dos EUA, datado de 1960: «provocar fome, desespero e a queda do governo» em Cuba. Foi essa a resposta do governo norte-americano de então ao fracasso do objectivo de derrubar o poder revolucionário instituído na sequência da Revolução cubana que pôs fim à ditadura de Fulgêncio Batista e ao domínio dos EUA sobre a ilha.

A questão do cerco energético esteve presente desde a primeira hora e nasce ainda antes da formalização do bloqueio em 1962. Já em 1960 os EUA tinham impedido as suas empresas de fornecer petróleo a Cuba e pressionavam outras empresas e governos a fazer o mesmo. A formalização do embargo em 1962 consolidou essa política, ao proibir todas as exportações para Cuba, incluindo o petróleo. Desde então que os EUA não desistem do objectivo de voltar a submeter o povo de Cuba ao seu domínio imperialista e colonial. A história do bloqueio a Cuba desenvolve-se paralelamente à incapacidade dos EUA para vergar aquele povo, fosse pela força, pelas centenas de tentativas de assassinato dos seus dirigentes, com destaque para Fidel Castro, pelas inúmeras tentativas de ingerência e subversão interna, ou pela tentativa de asfixia económica.

À capacidade de resistência de Cuba os EUA foram respondendo com o agravamento do bloqueio. Assim foi com os alargamentos e endurecimentos nas décadas de 70, 80 e 90 do século passado; com a Lei Torricelli, de 1992, durante a Administração de George Bush, que tentou sufocar Cuba após o fim da União Soviética e impedir o acesso do país a divisas estrangeiras; com a Lei Helms Burton em 1996, durante a Administração Clinton, que transformou o bloqueio em Lei Federal dos EUA; com a Administração de George W. Bush e as restrições de viagens e remessas para Cuba e a instituição da “Comissão para a Assistência a uma Cuba Livre” que institucionalizava a política de ingerência e desestabilização; e com o primeiro mandato de Trump que pela primeira vez activou o Capítulo III da Lei Helms Burton, acentuou ainda mais as proibições de viagens e remessas, intensificou o bloqueio energético e incluiu Cuba na lista da Administração dos EUA de Estados patrocinadores de terrorismo, decisões que a Administração Biden não revogou.

Como se vê, são mais de 60 anos de guerra económica contra Cuba e o seu povo. Uma agressão condenada vezes sem conta pela esmagadora maioria dos Estados-membros da ONU. A Administração norte-americana elevou para um novo patamar a agressão contra aquele povo e aquele País. As consequências fazem-se sentir, mas Cuba está a resistir. Cabe-nos a nós fazer a nossa parte e elevar para novos patamares a solidariedade com aquele povo. Cabe a todos os democratas e amantes da paz defender inequivocamente Cuba, o Direito Internacional e os direitos dos povos. Todos por Cuba é a palavra de ordem urgente!

 



Mais artigos de: Opinião

Cuba em três palavras

A recente “ordem executiva” de Donald Trump, que impõe sanções a quem abastecer Cuba de petróleo, é mais uma tentativa do imperialismo norte-americano de asfixiar – e derrotar – a Revolução cubana. Não é a primeira, já o tentou inúmeras vezes desde 1959, por diferentes meios, e não será certamente a última. A ameaça é...

Quem fica a ganhar?

Uma das técnicas usadas pelos protagonistas da política de direita e seus «papagaios» de serviço para atacar as empresas públicas é a propagação da ideia, mil vezes repetida, de que as empresas públicas são, por natureza, más empresas: porque dão prejuízos ao Estado, porque funcionam mal, porque não respondem às...

A instrumentalização do medo a propósito e para lá da tempestade

Os critérios que têm dominado a cobertura pelos principais órgãos de comunicação social à sucessão de intempéries ou à tempestade Kristin têm-se pautado, não tanto por uma informação rigorosa sobre os procedimentos a adoptar face aos riscos associados, ou sobre os acontecimentos e impactos em si e a resposta que está (ou...

Coitadinhos dos accionistas da EDP

Se há coisa de que não se pode acusar o sistema capitalista é da sua máquina de propaganda ser ineficaz. Ainda mal foi formulada a acusação sobre as responsabilidades (nas consequências da catástrofe) das empresas privadas que se apropriaram da infra-estrutura nacional e já temos o Expresso a apresentar a firme defesa...