Em Munique EUA apelam à recolonização
A denominada Conferência de Segurança de Munique, que decorreu entre 13 e 15 de Fevereiro, ficou marcada pelo apelo dos EUA a que, conjuntamente com os aliados europeus, se proceda a uma recolonização do mundo pelo imperialismo “Ocidental”.
Marco Rubio lamentou o declínio dos impérios ocidentais após a Segunda Guerra Mundial
Os EUA foram à Conferência de Segurança de Munique tentar reunir apoios para a recolonização do mundo, visando salvaguardar – ou até ampliar – a hegemonia do “Ocidente” (isto é, do imperialismo norte-americano). Para tal, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, defendeu uma «aliança revigorada» entre os EUA e a dita “Europa”.
Por cá, a generalidade dos órgãos de comunicação social limitou a sua análise da intervenção ao tom de Marco Rubio, caracterizado como apaziguador face à União Europeia, à NATO e às potências europeias, se comparado com o tom adoptado em 2025 pelo vice-presidente JD Vance.
Como referência histórica dessa “grandeza ocidental”, hoje ameaçada, Marco Rubio escolheu os cinco séculos de expansão do “Ocidente”, expressa na «colonização de novos continentes» e na construção de «vastos impérios que se estendiam por todo o globo». E lamentou que essa expansão tenha terminado após o fim da Segunda Guerra Mundial, a partir da qual «os grandes impérios ocidentais entraram em declínio, acelerado por revoluções comunistas ateias e levantamentos anticoloniais».
Ao período que se seguiu à Segunda Guerra Mundial – o da chantagem nuclear, da corrida aos armamentos, da criação da NATO, da ingerência, da desestabilização, das guerras e dos golpes de Estado promovidos pelo imperialismo um pouco por todo o mundo – referiu-se Marco Rubio como aquele em que os líderes imperialistas norte-americanos e europeus se recusaram a “escolher o declínio”: «Foi isso que fizemos juntos no passado, e é isso que o Presidente Trump e os Estados Unidos querem fazer novamente agora, juntamente convosco.»
As declarações Marco Rubio de apego à NATO e à história partilhada dos EUA e da Europa inserem-se, assim, no propósito de tentar reimpor o dominio do mundo, numa intervenção aplaudida em diversos momentos e bem acolhidado lado de cá do Atlântico.
Entretanto, foram muitas as vozes a defender o reforço da autonomia da “Europa” em matéria de “defesa e segurança”, eufemismos para esconder o verdadeiro propósito de promover o exponencial aumento das despesas militares, uma ainda mais acelerada corrida aos armamentos e a confrontação e a guerra. Eventuais diferenças à parte, esse é também o objectivo dos EUA, expresso na sua Estratégia de Segurança Nacional e reafirmado por Marco Rubio naConferência de Segurança de Munique.




