Manifestação Nacional de Mulheres a 8 de Março
Sob o lema «Vida com dignidade. Direitos com igualdade», o Movimento Democrático de Mulheres (MDM) promove, no Dia Internacional da Mulher, 8 de Março, uma Manifestação Nacional já confirmada em 16 localidades.
Colocar no centro da agenda mediática a urgência de políticas consequentes
Segundo o MDM, este será «um grande momento de mobilização colectiva pelos direitos, pela dignidade e pela igualdade». A denúncia dos baixos salários, a degradação dos serviços públicos, o combate às violências e a exigência de respostas rápidas para a reconstrução dos concelhos atingidos pelo mau tempo estão entre os eixos centrais da iniciativa, que quer mostrar «uma ideia simples: quando as mulheres se organizam, a indignação transforma-se em força – e juntas, na rua, somos imparáveis».
Sob o lema «Vida com dignidade. Direitos com igualdade», o MDM convoca mulheres de todas as idades, profissões e realidades para «um dia de afirmação e de luta», com acções já confirmadas em 16 localidades e outras em andamento, «dando corpo a uma mobilização nacional, descentralizada e amplamente participada». Num contexto de «agravamento das desigualdades, da precariedade laboral, do custo de vida, da degradação dos serviços públicos e de múltiplas formas de violência e discriminação», as mulheres «recusam continuar a “aguentar” e rejeitam retrocessos nos direitos conquistados».
Exigem-se respostas públicas
Da «violência doméstica ao namoro, do trabalho à exploração na prostituição, da objectificação do corpo à banalização da agressão na rua e no espaço digital», o MDM considera que persistem violências que exigem «respostas públicas firmes, políticas de prevenção eficazes e um compromisso real do Governo com a protecção das mulheres». A Manifestação Nacional de Mulheres será também, refere, «um palco privilegiado para dar voz a estas realidades e para colocar no centro da agenda mediática a urgência de políticas consequentes».
«Reconstruir é um direito, não uma promessa»
Este ano, a iniciativa assume ainda «um significado particular para as populações atingidas pelo mau tempo», onde a destruição de infra-estruturas e serviços teve impacto directo na vida de milhares de pessoas. «Quando o Estado falha, são as mulheres que ficam na linha da frente a segurar famílias, cuidar de crianças e idosos, garantir o essencial ao funcionamento das comunidades», sublinha.
«Reconstruir é um direito, não uma promessa», afirma o MDM, defendendo que «é dever do Governo garantir apoios, reconstrução, protecção do emprego, defender os postos de trabalho e condições de vida dignas». Na rua, no 8 de Março, as mulheres vão exigir «em uníssono» essas respostas.
O Secretariado Nacional do MDM apela à participação das mulheres em todo o País para «transformar a indignação em força colectiva» e exigir «que os direitos consagrados na lei sejam cumpridos na vida real». «Quando nos querem submissas, erguemo-nos juntas; quando nos querem caladas, respondemos em coro», conclui.
Semana da Igualdade em 26 cidades e em mais de um milhar de locais de trabalho
A Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens (CIMH) da CGTP-IN promove, de 2 a 8 de Março, a Semana da Igualdade, sob o lema «A igualdade que Abril abriu. Reforçar direitos. Cumprir a Constituição». A iniciativa está integrada nas comemorações do Dia Internacional da Mulher e decorrerá em todo o País, envolvendo 26 cidades e mais de um milhar de locais de trabalho.
Segundo a Comissão, apesar dos avanços alcançados, as mulheres trabalhadoras continuam confrontadas com salários mais baixos, carreiras estagnadas, precariedade laboral, horários desregulados e discriminações associadas à maternidade. Persistem ainda situações de assédio, sobrecarga laboral e dificuldades de conciliação entre vida profissional e familiar.
A CIMH alerta também para o aumento do custo de vida, o enfraquecimento dos serviços públicos e o desrespeito por direitos consagrados na Constituição da República Portuguesa, defendendo que estes direitos não são privilégios, mas condições essenciais para uma vida digna.
No âmbito preparatório da iniciativa, serão divulgados cinco estudos sobre a situação actual da mulher no trabalho.
A sessão de abertura está marcada para 2 de Março, às 14h30, no auditório da sede da CGTP-IN, em Lisboa. O encontro contará com a apresentação das principais iniciativas da semana e um debate com dezenas de organizações não governamentais que actuam na área da igualdade de género e do combate à violência.
O Secretário-Geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira, encerrará o debate, seguindo-se uma conferência de imprensa para divulgação pública do programa global. A edição deste ano assinala também os 50 anos da Constituição e integra a luta contra o pacote laboral.




