Portugal não pode ser amarrado à guerra

Ao nada fazer quanto à utilização da Base das Lajes numa eventual agressão militar norte-americana contra o Irão, o Governo português amarra o País ao imperialismo e à guerra. O PCP e o CPPC estão contra.

Base das Lajes utilizada pelos EUA no reforço do dispositivo militar no Médio Oriente para atacar o Irão

Questionado sobre se os EUA podem usar a base militar situada na Ilha Terceira, nos Açores, sem avisar Portugal, mesmo que numa agressão directa contra outro país (no caso a República Islâmica do Irão), o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, foi claro: «Exactamente, isso é verdade. (…) Podem, para qualquer operação, usar sem Portugal ter de ter conhecimento. Isso é assim que está nos tratados», afirmou o governante, numa já conhecida postura de subserviência do Governo, como dos que o antecederam, à estratégia belicista e militarista dos EUA.

As declarações foram prestadas aos jornalistas à margem de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, em Bruxelas.

Já no dia 20, o Grupo Parlamentar do PCP tinha questionado o Governo, através do ministro dos Negócios Estrangeiros, precisamente sobre o inusitado aumento de movimento de aeronaves militares norte-americanas na Base das Lajes. Segundo a imprensa, a base registou no dia 18 «um maior movimento de aeronaves militares dos EUA», chegando a estar estacionados na pista «11 aviões reabastecedores KC-46 Pegasus, 12 caças F-16 Viper e um cargueiro militar C-17 Globemaster III». Trata-se de um aumento de movimentação de aviões das forças armadas norte-americanas, que recorda o mês de Junho de 2025 e a situação que precedeu a agressão militar dos EUA ao Irão perpetrada nessa altura.

Nesse requerimento, os deputados comunistas pretendiam saber se o Governo tinha informações acerca dessas movimentações e se conhecia os seus objectivos, nomeadamente, em relação a uma eventual agressão militar norte-americana ao Irão. O PCP pergunta se o Governo «não considera que a conivência com os EUA e a sua associação a uma eventual agressão militar contra o Irão contraria a Constituição da República Portuguesa, que pugna por uma política de paz e de solução pacífica dos conflitos internacionais».

O PCP considera que, para além do silêncio do Governo português, a eventual utilização da Base das Lajes pelos EUA para a escalada de agressão ao Irão «levanta questões relativas à soberania e independência nacionais e ao papel de Portugal em defesa da paz, da solução pacífica dos conflitos internacionais, da não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados».

Também o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) se pronunciou sobre estes acontecimentos, e sobretudo sobre as declarações do ministro, considerando-as reveladoras de uma postura seguidista, contrária aos princípios constitucionais. Para o CPPC, Portugal deve assumir uma política externa independente, em defesa da paz, do desarmamento e da soberania dos povos.

 



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