Por Cuba! Por todos!

João Frazão (Membro da Comissão Política)

O exemplo de Cuba ilumina todos os que querem um mundo melhor


Não é apenas, e já não seria pouco, pela frase de Fidel, que vi pintada num grande mural, em Cuba, que me causou enorme impressão, que dizia “Esta noite, milhões de crianças dormirão na rua, mas nenhuma delas é cubana”. A atenção que Fidel e o conjunto dos dirigentes de Cuba socialista dedicaram ao longo das últimas seis décadas e meia aos direitos das crianças é exemplar. Não poupando nenhum esforço para lhes assegurar as melhores condições, têm uma das mais baixas taxas de mortalidade infantil, asseguraram, por exemplo, o fim da desnutrição infantil e todos têm mesmo garantido o direito à educação.

Não é também só porque Cuba tem um dos mais avançados sistemas de saúde em todo o mundo, assegurando as técnicas mais avançadas e pioneiras a quem está em situação de dificuldade de saúde no seu país.

Não é porque Cuba está na vanguarda do desenvolvimento da medicina, que lhe permitiu, por exemplo, assegurar, em tempo recorde, vacinas contra a COVID-19, que distribuiu por inúmeros países. Um feito que foi alcançado ao mesmo tempo que inúmeros outros países com um desenvolvimento industrial e meios incomensuravelmente maiores.

Não é, ainda, por Cuba, apesar das suas próprias dificuldades, ser um país solidário no plano da saúde, enviando equipas médicas a países onde estas façam falta e recebendo centenas de milhares de pessoas para tratamentos. Com uma forte aposta na formação de jovens em medicina, Cuba tem dado, em muitas situações, ajudas em países com poucos médicos, como muitos portugueses se lembrarão bem.

Não é por essa solidariedade se estender ao campo da educação, com milhares de estudantes de todo o mundo a passarem pelas escolas e universidades cubanas, formando um sem número de quadros. Um apoio para o presente e para o futuro desses jovens, mas também dos seus países de origem, para onde transportam conhecimentos e experiências que aplicam ao seu desenvolvimento.

Não é somente pela irrepreensível solidariedade internacionalista, expressa na nossa memória pela sua acção em Angola em apoio ao MPLA contra as tentativas de ingerência do apartheid sul-africano. Solidariedade no respeito absoluto pelas opções dos países onde intervieram, mesmo com o sacrifício de muitas vidas cubanas.

Não é, ainda, pelo seu empenhado papel nas artes, na cultura e no desporto, que têm levado a bandeira cubana a todos os cantos do planeta. Como não lembrar Pablo Milanés, Silvio Rodriguez ou Compay Segundo e a sua maravilhosa música?

Não é sequer pela sua contribuição, num dos mais difíceis períodos da sua história, o chamado Período Especial, para o movimento dos Festivais, organizando o 14.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, uma imensa manifestação juvenil de rejeição do imperialismo e defesa da Paz.

Quer dizer, é por tudo isso e muito mais.

É pelo exemplo de um povo que faz tudo isso resistindo ao mais feroz bloqueio da maior potência mundial, o imperialismo norte-americano, que já tentou de tudo para vergar os resistentes das Caraíbas, desde acção armada directa, com a invasão da Baía dos Porcos, à desestabilização interna, ao bloqueio económico que inclui hoje mais de mil medidas em vigor.

A resistência do generoso povo de Cuba à difícil situação que hoje, uma vez mais, defronta de cara levantada, é um exemplo de coragem, de determinação, de soberania, de humanismo, de solidariedade, de dignidade, de um povo inteiro que se agiganta nesta luta épica de David contra Golias.

É por tudo isto, neste momento em que os Estados Unidos da América agravam a sua criminosa prática de décadas, apertando o cerco a níveis nunca antes vistos, que se exige ainda mais a solidariedade do povo português para com o heróico povo cubano que, todos os dias nos diz que tem o direito a decidir do seu próprio destino e que vai exercer esse direito. Porque o seu exemplo ilumina todos os que querem um mundo melhor.

Por eles. Por todos os que lutam e resistem.

Cuba Vencerá!

 



Mais artigos de: Opinião

Cruzadas imperialistas

Mais uma guerra. Mais uma agressão ilegal e não provocada. Mais um ataque no meio de negociações, à má-fé. Mais uma avalanche de propaganda para condenar a vítima e não o agressor. A guerra de Israel-EUA contra o Irão começou, logo no primeiro dia, com um ataque terrorista a uma escola primária para raparigas no sul do...

O dono da bola

Todos quantos jogaram à bola na rua, com pedras ou mochilas a fazerem de balizas improvisadas, sabem do que falo: o miúdo que mandava no jogo era o dono da bola. Era ele que fazia ou interpretava as regras, decidia quando era ou não penálti, sabia sempre se era golo ou se a bola passara “por cima da barra” e quando lhe...

Agressão ao Irão – paralelismos

Os EUA e Israel consumaram mais uma agressão ao Irão. As consequências desta flagrante violação do Direito Internacional serão muito sérias para a região e para o Mundo. Este novo crime dos EUA e de Israel era já esperado, apesar de os EUA terem continuado cinicamente a participar nas negociações ao mesmo tempo que...

O trabalho das mulheres

A CGTP-IN publicou na semana passada dados muito importantes sobre o trabalho das mulheres em Portugal. 41% das mulheres trabalhadoras, mais de 931 mil, trabalham por turnos, ao serão, à noite, ao fim de semana, têm bancos de horas, adaptabilidade, ou uma combinação disto tudo. Só 20% têm um horário regular. Um milhão...

Preso por arames

Sugestão de tópico para o pós-Kristin: o ordenamento do território e a distribuição de funções nele, nomeadamente a habitação. Também este está preso por arames. O Governo – e os que o antecederam – nem terão olhado para os Censos. As zonas mais afectadas apenas mostraram de forma ampliada uma situação generalizada:...