Vítor Dias, uma vida dedicada à luta e ao Partido
Faleceu, no dia 26, o camarada Vítor Dias. Deixa-nos aos 80 anos, mas o seu percurso de vida dedicado à luta e ao Partido pela liberdade, a democracia e o socialismo perdurará na luta que o PCP continua a travar. Em comunicado, o Secretariado do Comité Central afirmou o seu profundo pesar pela perda.
«Este tempo de grande exigência requer a determinação que sempre encontrámos no Vítor Dias»
que se realizou no dia 27, no cemitério da Amadora, dirigindo, em primeiro lugar, sentidas palavras de pesar aos familiares, companheira e filhos de Vítor Dias.
Percurso de resistência e luta
Nascido em 1945, desde cedo se dedicou à luta e à resistência contra o regime fascista, em primeiro lugar, integrando diversas associações culturais e desportivas do concelho de Vila Franca de Xira. Foi, igualmente, entre 1966 e 1967, dirigente da Associação de Estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e, ainda, membro da direcção da Cooperativa Livreira e Cultural DEVIR.
Empregado de escritório e trabalhador do Sindicato dos Caixeiros de Lisboa, a partir de 1969 integra diversas estruturas da Comissão Democrática Eleitoral (CDE) de Lisboa, pela qual foi candidato na batalha política da farsa eleitoral fascista de 1973. Foi dirigente, até 1976, do Movimento Democrático Português/ Comissões Democráticas Eleitorais (MDP/CDE).
Ainda em 1973, contribui na organização e participa no terceiro Congresso da Oposição Democrática, em Aveiro. Abraçando a luta antifascista, pela democracia e liberdade, foi aprisionado na cadeia de Caxias a 6 de Abril de 1974, libertado dias mais tarde com a Revolução de Abril.
Foi membro da Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira no primeiro mandato autárquico de 1976/1979.
53 anos de militância no seu Partido de sempre
Aderindo ao PCP em 1973, é eleito ao Comité Central no IX Congresso, em 1979. Mais tarde, entre 1990 e 2008, integra a Comissão Política do Comité Central, assumindo diversas tarefas, desde logo, como responsável pelo trabalho de Informação e Propaganda Central.
Autor de inúmeros textos na imprensa partidária, nomeadamente no Avante! com centenas de artigos, nunca faltou à exigente tarefa de retratar a realidade política actual de cada momento com acutilância. O mesmo fez com centenas de entradas que elaborou no seu blogue Tempo das Cerejas.
Resistente antifascista
Como ex-preso político, foi um dedicado e destacado lutador contra a tentativa de transformação do forte de Peniche numa unidade hoteleira. Com empenho, destacou-se igualmente no processo de construção do Museu da Resistência e Liberdade, hoje situado no mesmo forte.
«Um quadro do Partido com uma memória notável que manteve ao longo da vida. Um homem reservado, fraterno, modesto e leal no trabalho e na relação com os seus camaradas», assinalou Paulo Raimundo na cerimónia fúnebre. «Uma pessoa de particular sensibilidade, reflexão e criatividade, elementos sempre presentes na sua opinião própria e no seu contributo para a construção da reflexão e do apuramento colectivo», acrescentou.
O contributo de Vítor Dias, como afirmou o Secretário-Geral, deixa marcas: «uma opção que é referência para sucessivas gerações, um compromisso com o Partido, seu ideal e projecto transformador, é este o legado que Vítor Dias deixa a todos os que continuam a sua e nossa luta de todos os dias».




