- Nº 2729 (2026/03/19)As jornadas, que decorreram ao longo de segunda e terça-feira em vários concelhos do Alto Minho, constaramde reuniões com organizações e instituições e visitas a serviços e equipamentos, abarcando áreas como o trabalho, a saúde, a ciência ou a produção nacional.
Na sessão de abertura em que interveio o Secretário-Geral do PCP, Paulo Raimundo, Paula Santos referiu-se ao lema das jornadas, explicitando a importância da actividade produtiva na região: não só agricultura e pescas, mas, também, «uma forte componente industrial» em sectores como a indústria automóvel ou a construção e reparação navais.
Estas actividades, afirmou, são estratégicas «para pôr o País a produzir», desígnio que tem de passar pela aposta na produção nacional e por mais investimento na ciência e inovação.
«Com a frente atlântica, as zonas ribeirinhas dos rios Minho e Lima, ou a enorme riqueza natural que constitui o único parque nacional do País, o Parque Nacional de Peneda-Gerês, o distrito de Viana do Castelo encerra em si inúmeras riquezas e tradições culturais de cariz popular», sublinhou.
A líder parlamentar valorizou o «contacto com os trabalhadores e as populações no terreno», que permite conhecer problemas e encontrar soluções.
Outro rumo para a região e o País
«Direitos, produção, desenvolvimento, elementos estruturantes para o rumo de progresso que ambicionamos e que se impõe», destacou Paulo Raimundo, e que implica, frisou, romper «com o caminho desastroso em curso».
«Um caminho que não aceitamos», referiu, e que, naquele distrito, já levou à privatização dos Estaleiros Navais, à preparação da privatização da água e ao encerramento de valências do SNS como a radioterapia do Hospital de St.ª Luzia.
Tudo isto, assegurou, a par de problemas comuns à realidade nacional, como a «ultra-maratona» do acesso à habitação, o desinvestimento na educação, ciência, investigação e cultura, a «velha e estafada reforma do Estado» que justifica «mais retrocessos e injustiças» ou as «transferências milionárias» do público para o privado.
A região e o País, garantiu, precisam de uma política «que responda aos seus problemas e vá ao encontro dos seus justos anseios».
Direitos são negados
A manhã de dia 16 foi dedicada à situação dos trabalhadores, em particular do sector automóvel. Numa reunião com o SITE Norte, Augusto Silva e José Flores, dirigentes sindicais, apontaram como principais problemas da actividade os baixos salários, a precariedade e os horários, com muitas empresas a operar em laboração contínua. Este é o caso da ZF, na qual trabalham dois delegados sindicais presentes no encontro, onde puderam denunciar injustiças como o «banco de horas negativo» – ou seja, dias de pouca produção em que a laboração pára e os trabalhadores, mandados para casa, têm de compensar a “dívida” indo trabalhar ao sábado, por exemplo. Os participantes criticaram outros problemas, como o recurso ao outsourcing, a utilização de contratos colectivos que não garantem direitos (assinados com sindicatos fora do MSU) e a ameaça de deslocalização para impor piores condições de trabalho.
Injustiças nas pescas
A líder parlamentar reuniu, no dia 16, com pescadores no porto de Vila Praia de Âncora, Caminha, concelho onde a pesca, como em outros pontos do País, é artesanal e maioritariamente feita em barcos de caixa aberta. Também isso, explicaram Carlos Sampaio, da associação local de pescadores, e Noé Guimarães, do Sindicato das Pescas do Norte, é motivo para criticar a recente adopção da norma da UE que impõe a estas pequenas embarcações ter equipamentos para pesar o pescado – função que seria da Docapescas. Este problema já levou ao envio de ofício por 10 associações do sector no Norte, sem resposta da parte do Governo. Os pescadores levantaram outros problemas, como a actividade eólica, com impactos directos no desaparecimento de fauna marinha, e a necessidade da requalificação estrutural, apontada desde 2006 (e com fim previsto apenas em 2031) no porto, estratégico pela sua ligação a Espanha.
Investimento no SNS
Defender e valorizar o SNS como uma das mais importantes conquistas de Abril. Foi esta a principal conclusão transmitida à imprensa por Paula Santos à saída de uma reunião com a administração da ULS do Alto Minho, no Hospital de St.ª Luzia. A deputada destacou a falta de profissionais como uma das principais preocupações, transversal ao serviço público de saúde e que exige, da parte do Governo, medidas concretas para a valorização das carreiras. Na reunião, o PCP questionou a administração sobre as perspectivas da abertura do serviço de radioterapia no hospital. «Não está previsto este investimento [pelo Executivo]», referiu Paula Santos, lamentando que se continue a obrigar doentes oncológicos do distrito a fazer deslocações de duas ou mais horas para aceder aos tratamentos. A ULS reúne os centros de saúde da região e os hospitais de St.ª Luzia e do Conde de Bertiandos.
Falta muito na cultura
O Grupo Desportivo e Cultural dos Trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo acolheu, na noite de dia 16, uma tertúlia sobre cultura que juntou dezenas de pessoas ligadas à cultura, desporto e associativismo. Alfredo Maia destacou o facto de as associações necessitarem de um verdadeiro apoio não só das autarquias, mas, também, do Estado central. Este foi um dos aspectos mais salientados na tertúlia, onde os presentes abordaram temáticas como a falta de financiamento, dificuldades burocráticas ou a injustiça fiscal sobre entidades sem fins lucrativos. Alguns, envolvidos na produção artística, criticaram a falta de apoio (financeiro e não só) para a criação de novos projectos. Outros, valorizaram a existência de colectividades centenárias, tentando pensar em conjunto soluções para envolver mais jovens no movimento associativo. Paula Santos asseverou que o associativismo, «escola de democracia», precisa de apoio para continuar a garantir acesso a áreas em que o Estado se desresponsabiliza, e lembrou propostas do PCP para estas áreas, nomeadamente a criação de um Serviço Público de Cultura. «Há um longo caminho ainda por percorrer», assinalou.
Valorização das IPSS
O Gabinete de Atendimento Social à Família (GAF) é uma IPSS vianense que, como outras instituições congéneres, intervém há 32 anos em áreas como atendimento psicológico, inserção de pessoas sem abrigo, apoio e abrigo a vítimas de violência doméstica e atendimento de pessoas toxicodependentes ou com HIV/SIDA. Foi este trabalho o foco de uma reunião entre Paula Santos e a IPSS, na manhã de dia 17, onde foi explicada não só a origem do GAF como a sua estrutura, não só com voluntários, mas, também, 60 trabalhadores. No encontro abordaram-se, ainda, temáticas como o aumento de comportamentos de risco entre os jovens e as dificuldades das famílias (particularmente monoparentais) em conseguir viver com baixos salários e trabalhos por turnos. Leandra Rodrigues, coordenadora-geral, explicou que o GAF depende de candidaturas a financiamento público, que é muitas vezes pouco e incerto.
Investir no Ensino Superior
Alfredo Maia reuniu, no dia 16, com a direcção do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, instituição que contribui para o desenvolvimento económico e industrial na zona, nomeadamente de produtos endógenos. No encontro, ficou clara a necessidade de mais investimento público no ensino superior, ciência e tecnologia.
Apoiar a produção
Numa reunião com a Associação Regional de Agricultores e com a Associação para a Cooperação entre Baldios, no dia 17, Alfredo Maia expressou o compromisso do PCP em continuar a lutar pela valorização dos produtores, com mais apoios técnicos e financeiros para a promoção dos recursos endógenos.
Visita a cooperativa vitivinícola
Alfredo Maia visitou, no dia 16, a Adega Cooperativa Regional de Monção. A cooperativa, nascida em 1958 por iniciativa de 25 pessoas, junta, hoje, 1720 produtores e 1237 hectares de vinha, produzindo 6000 garrafas por hora, de vinhos como o Muralhas de Monção.