Ingerências dos EUA na América Latina e Caraíbas
Que os EUA pretendem submeter ao seu domínio os povos da América Latina e Caraíbas é uma evidência que a própria Estratégia de Segurança Nacional, anunciada há meses, confirma ao inscrever a região como uma denominada “esfera de influência” do imperialismo norte-americano, à semelhança do que ambiciona impor a todo o mundo. Mas há novos desenvolvimentos.
O pretenso e falso combate ao chamado “narcoterrorismo” é pretexto para todo o tipo de ingerências e agressões que, na verdade, visam a imposição do domínio dos EUA
A agressão militar à República Bolivariana da Venezuela e o sequestro do seu Presidente, Nicolás Maduro, e da sua esposa, a deputada Cilia Flores, nos primeiros dias do ano; as ameaças então dirigidas à Colômbia e ao México; o recrudescimento do bloqueio contra Cuba, o impedimento total da entrada de combustíveis; ou ainda a aberta ingerência nos processos eleitorais em vários países, constituem evidências de que esta nova e anunciada fase de escalada da ingerência do imperialismo norte-americano na região começou – aliás, como se verifica noutras regiões mundo, nomeadamente no Médio Oriente, com a agressão militar em curso contra o Irão.
Ao contrário de outros momentos, estas pretensões neocoloniais são hoje abertamente anunciadas, seja nas referências directas à Doutrina Monroe feitas por membros da administração Trump, seja na recente cimeira denominada “Escudo das Américas” (a que o Avante! se referiu na passada edição), em que as conclusões que dela emanaram representam um ataque à proclamação da América Latina e Caraíbas como “Zona de Paz” e aos processos de integração regional, ao mesmo tempo que revelam a submissão de vários governos da região aos interesses dos EUA.
Mas novos passos estão a ser dados. Na terça-feira, 12, o Congresso do Paraguai aprovou um “acordo militar” com os EUA que não só abre caminho à presença de tropas norte-americanas no território paraguaio como lhes garante ampla impunidade. Segundo os termos do acordo, os EUA podem desembarcar no Paraguai todo o tipo de armamento e levar a cabo todo o tipo de operações, sem consequências legais. Dias antes, numa entrevista televisiva, o Presidente do Equador, Daniel Noboa, afirmou que aceitaria a presença de militares dos EUA no seu país e, seguindo a narrativa da actual administração norte-americana, referiu-se a um dito “avanço do narcotráfico” na Colômbia, procurando responsabilizar o Presidente Gustavo Petro, que há meses foi ameaçado por Donald Trump e que termina em breve o seu mandato. As eleições presidenciais na Colômbia estão marcadas para o final de Maio.
Revelador é também o anúncio de que os EUA pretendem classificar grupos criminosos brasileiros como “organizações terroristas”, o que deixa antever o propósito de aumentar a ingerência norte-americana no Brasil. A medida anunciada pelos EUA é uma antiga reivindicação da extrema-direita brasileira, abertamente golpista. Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente brasileiro (actualmente detido) e previsível candidato às próximas eleições presidenciais, já fez saber que apoia esta medida. Recorde-se que o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, foi sequestrado precisamente sob o falso pretexto do combate ao “narcoterrorismo”.




