- Nº 2729 (2026/03/19)A capacidade de resistência demonstrada pelo Irão à brutal agressão militar desencadeada pelos EUA e por Israel está a surpreender os próprios círculos políticos, económicos, militares e mediáticos do imperialismo. Entretanto, as consequências da guerra são dramáticas.
Lusa
Os últimos dados de vítimas mortais revelados pelas autoridades iranianas, há já mais de uma semana, davam conta de 1300 mortos no país em resultado dos bombardeamentos norte-americanos e israelitas. Há dias, uma porta-voz do governo iraniano revelou que mais de 200 crianças foram mortas em consequência da agressão militar. Os feridos ultrapassam os 15 mil. Centenas de infra-estruturas civis – escolas, centros de saúde, hospitais, unidades do Crescente Vermelho, bairros residenciais – tinham também sido bombardeadas. Pelo menos 56 museus, sítios históricos ou locais registados como património cultural, alguns dos quais classificados pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade, tinham igualmente sido atingidos e danificados pelos bombardeamentos dos agressores.
No Líbano, massacrado pelo exército israelita, o governo contabilizava na segunda-feira 886 mortos e muitas centenas de milhares de deslocados.
A resistência iraniana parece estar a ser muito mais forte do que era esperado por norte-americanos e israelitas. Entre declarações sonantes de que a guerra será “rápida” e de que o Irão “está destruído”, proferidas por Donald Trump e outros elementos da sua administração, a realidade está a contrariar esta narrativa. O próprio presidente norte-americano reclamou dos membros da NATO apoio para garantir a abertura do Estreito de Ormuz, numa rara confissão das dificuldades que estão a encontrar.
A agressão dos EUA e de Israel ao Irão levou já à especulação no sector dos combustíveis, com o aumento do preço do petróleo, assim como noutros importantes sectores, o que motiva crescentes protestos, incluindo na própria sociedade norte-americana. Donald Trump, contudo, veio afirmar que «quando os preços do petróleo sobem, ganhamos muito dinheiro», referindo-se à especulação das grande petrolíferas dos EUA.
Irão exige garantias
No primeiro pronunciamento desde que foi eleito, o novo líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, destacou no dia 12 a unidade nacional e a capacidade demonstrada pelas forças armadas iranianas para garantir uma defesa contínua e eficaz destinada a dissuadir novas agressões ao país. O dirigente iraniano apelou aos países vizinhos para que encerrem as bases militares estrangeiras e sublinhou que a presença de tropas norte-americanas na região do Golfo Pérsico permanece como o principal obstáculo à estabilidade regional.
Este pronunciamento surge depois do presidente iraniano Masoud Pezeshkian ter apresentado aquelas que o Irão entende serem as três premissas fundamentais para a paz no Médio Oriente: o reconhecimento dos direitos soberanos do Irão, incluindo ao enriquecimento nuclear pacífico e ao fim das sanções unilaterais; as reparações de guerra, compensando danos causados à infra-estrutura civil e económica do país; e garantias internacionais capazes de assegurar a segurança do Irão contra novas agressões.
Numa entrevista, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, reafirmou que os alvos iranianos são apenas os activos, as bases e as instalações militares norte-americanas no Médio Oriente, e que Estados do Golfo estão a ser utilizados para atacar o Irão. Sobre os apelos ao “diálogo” com os EUA, lembrou ocasiões passadas – como o início dos bombardeamentos dos EUA e de Israel, enquanto as conversações ainda decorriam – e realçou que o Irão não tem nenhuma experiência positiva de diálogo com os norte-americanos.
Violência colonial na Palestina
Em menos de uma semana, seis palestinianos foram mortos por colonos israelitas na Cisjordânia ocupada por Israel. Os crimes ocorreram em aldeias próximas de Ramalá, Hebron e Nablus, na sequência de invasões de comunidades e propriedades, disparos contra moradores e confrontos relacionados com o assalto dos colonos israelitas por terras.
Nos últimos anos intensificou-se a violência de colonos sobre as populações palestinianas, expressa em ataques contra aldeias, propriedades agrícolas e rebanhos, a que se soma a própria acção de repressão das forças militares israelitas.
Ocupada desde 1967, na Cisjordânia vivem hoje mais de 700 mil colonos israelitas, o que é ilegal à luz do direito internacional.
Comunistas jordanos presos
Omar Awwad e Osama Zein-Eldin, membros do Bureau Político do Partido Comunista Jordano (PCJ), foram detidos no domingo, 8, pelas aiutoridades jordanas. O PCJ denuncia os motivos políticos por detrás destas detenções, sem qualquer fundamento legal, e a forma brutal como as mesmas ocorreram, exigido a libertação dos dois dirigentes.
A prisão de Omar Awwad e Osama Zein-Eldin ocorreu após a detenção do estudante universitário, e membro do Partido, Aldin Hisham Ahmad, o que para o PCJ reflecte a continuidade de políticas que restringem a actividade política e partidária e visam as liberdades públicas. O PCJ considera que se trata de uma «tentativa desesperada de pressionar o Partido a abandonar as suas posições de princípio em relação a questões nacionais e regionais».
Solidariedade do PCP
O Partido Comunista Português dirigiu ao Partido Comunista Jordano uma mensagem em que condena veementemente as detenções, que considera arbitrárias, rudes e sem qualquer justificação legal.
Denunciando a sistemática acção de repressão do PCJ e de ataque às liberdades e direitos, o PCP insta à libertação imediata dos comunistas presos e manifesta «a sua solidariedade para com os camaradas detidos, o Partido Comunista da Jordânia e o povo jordano, que aspira e luta pela paz e pelo respeito da soberania e dos direitos dos povos e rejeita as guerras que o imperialismo promove há décadas contra os povos do Médio Oriente».