Cuba resiste ao bloqueio e afirma que a soberania não se discute
Sobem de tom as ameaças dos EUA contra Cuba: Donald Trump afirmou há dias que, depois da agressão ao Irão, Cuba «será a próxima». O bloqueio total imposto pelos EUA à entrada de combustíveis provoca prejuízos imensos, mas Cuba, como sempre, resiste.
Cuba mobiliza-se para encontrar alternativas aos produtos petrolíferos, que há três meses não entram no país em resultado do bloqueio imposto pelos EUA
«Aqui faz-se o impossível.» Se este bem que poderia ser o lema da Revolução cubana ao longo de já mais de 67 anos, aplica-se inteiramente à actual situação do país: ameaçada de intervenção militar pela maior potência imperialista do mundo e privada de combustível há três meses, com sérios impactos no dia-a-dia do povo cubano, Cuba procura minimizar os impactos deste criminoso e desumano bloqueio e encontrar alternativas.
A frase acima foi proferida pelo Presidente da República de Cuba e Primeiro Secretário do Partido Comunista de Cuba (PCC), Miguel Diaz-Canel, e resume o sentido do que está a ser feito face à carência de combustível, com todas as consequências que acarreta no abastecimento de água, na produção, nos serviços prestados à população, nas comunicações, nos transportes. «Não tenho palavras para descrever o esforço que fazem os nossos trabalhadores da União Eléctrica, que são uns titãs», salientou.
«Há três meses que não entra combustível» em Cuba, denunciou em conferência de imprensa o dirigente cubano, acrescentando que esta situação levou ao esgotamento das reservas e consequentes falhas na distribuição de energia, o que provocou os frequentes apagões que têm fustigado o país. «Quando as centrais se desligaram por falta de combustível, o sistema tornou-se extremamente frágil. Um dia, uma unidade sofreu uma paragem repentina e estas flutuações causaram o apagão», explicou o dirigente cubano, realçando que também a recuperação do sistema é um processo complexo que requer combustível para os geradores. No momento em que falava aos jornalistas, essa recuperação estava a ser feita com recurso às reservas destinadas a este tipo de situações.
Soluções soberanas e de longo prazo
A par de todo o esforço de reabilitação de infra-estruturas energéticas, as autoridades cubanas procuram também implementar as medidas delineadas na Estratégia Nacional de Energia, dando prioridade aos serviços essenciais e acelerando projectos de energias renováveis que possam constituir soluções viáveis e soberanas de longo prazo.
Miguel Diaz-Canel referiu-se ao aumento da exploração de novos poços de gás e o substancial aumento do número de parques fotovoltaicos, que geram já cerca de 50% da energia utilizada durante o dia: 900 empresas públicas possuem sistemas fotovoltaicos, que estão a ser instalados igualmente em centros educativos e de saúde. O presidente cubano informou ainda que «120 crianças com doenças que exigem climatização nas suas casas já possuem módulos fotovoltaicos».
O recurso à lenha e ao carvão, por exemplo em padarias, é outra medida adoptada, a par da instalação de centenas de sistemas de bombagem movidos a energia solar para irrigação agrícola e para o abastecimento de água à população.
Conversa só entre iguais
O dirigente cubano referiu-se ainda ao processo de conversações bilaterais actualmente em curso com os EUA, garantindo que se tratam de processos «discretos e longos, actualmente na sua fase inicial, e que são coerentes com a política que a Revolução Cubana defendeu ao longo da sua história».
Da parte de Cuba, estas conversações têm três objectivos principais: determinar quais os problemas bilaterais que exigem soluções; estabelecer possíveis soluções para estes mesmos problemas; e determinar se «existe vontade de implementar acções concretas em benefício dos nossos povos, o que implica identificar áreas de cooperação para fazer face às ameaças e garantir a segurança e a paz de ambos os países».
Nesse processo, Cuba reafirmou a sua disponibilidade para prosseguir essas conversações sempre «com base na igualdade e no respeito pelos sistemas políticos de ambos os Estados, pela soberania e autodeterminação dos dois governos». Questões internas estão e estarão fora da agenda.
Alargar a solidariedade
O PCP participou, no dia 5, numa vídeo-conferência promovida pelo Partido Comunista de Cuba (PCC) com o objectivo de informar acerca da situação no país e das perspectivas do seu desenvolvimento. Participaram 66 representantes de 27 partidos comunistas e outras forças progressistas da Europa.
Na ocasião, o Secretário-Geral do PCP, Paulo Raimundo, considerou que «a mais recente escalada de agressão do imperialismo norte-americano contra Cuba só pode suscitar da parte dos comunistas, e de todos os democratas no mundo, a mais veemente denúncia, condenação e repúdio». Paulo Raimundo sublinhou ainda que, da parte do PCP, «continuaremos empenhados na solidariedade com Cuba, com o povo cubano e a sua Revolução socialista, exigindo o respeito da soberania e independência da República de Cuba e dos direitos do seu povo, incluindo o direito a decidir soberanamente o seu caminho, livre de ingerências, pressões e ameaças externas».
Esta iniciativa seguiu-se a uma outra, semelhante, realizada a 27 de Fevereiro com partidos e movimentos da América Latina e Caraíbas.
Entretanto, no âmbito da campanha de solidariedade “Por Cuba! Fim ao Bloqueio!”, que várias organizações estão a desenvolver em Portugal, estão marcadas para 19 de Abril duas importantes acções, ambas nas instalações de A Voz do Operário, em Lisboa: a Conferência “No Centenário de Fidel Castro: Cuba, a Revolução e o Mundo”, às 11h00; e o Concerto “Todos por Cuba” às 15h30.




