Utentes contestam encerramento das urgências de obstetrícia e ginecologia
Utentes do Hospital de Vila Franca de Xira concentraram-se no sábado junto à unidade hospitalar para contestar o encerramento das urgências de obstetrícia e ginecologia, uma decisão que dizem prejudicar cerca de 250 mil pessoas na região.
O protesto foi promovido pelo Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP), pelas comissões de utentes do Estuário do Tejo e pela Plataforma Lisboa em Defesa do SNS.
Em causa está a decisão de encerrar as urgências de ginecologia e obstetrícia do hospital, que serve também os municípios de Azambuja, Arruda dos Vinhos, Alenquer e Benavente. Com esta alteração, as utentes passam a ser encaminhadas [desde 16 de Março] para o Hospital Beatriz Ângelo.
A medida insere-se no processo de criação de urgências regionais na área da obstetrícia e ginecologia, justificado pelo Governo com a falta de profissionais de saúde. Está igualmente prevista uma urgência regional para a Península de Setúbal, concentrada no Hospital Garcia de Orta, o que implicará o encerramento da urgência do Hospital do Barreiro.
No protesto esteve presente a líder parlamentar do PCP, Paula Santos, que considerou que o encerramento das urgências obstétricas representa «um retrocesso nos direitos» dos utentes servidos por este hospital. Segundo a dirigente comunista, a decisão soma-se a outros problemas no acesso à saúde nos concelhos abrangidos, como períodos de encerramento das urgências de pediatria, falta de médicos nos centros de saúde, listas de espera prolongadas, urgências gerais congestionadas e recurso a consultas por videochamada.
Também marcaram presença eleitos da CDU em órgãos autárquicos dos concelhos de Vila Franca de Xira, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Azambuja e Benavente.
Grávidas em risco
O Movimento Democrático de Mulheres (MDM) manifestou igualmente preocupação com esta reorganização, considerando que o encerramento de serviços e a concentração de respostas hospitalares «transformam a maternidade num percurso de obstáculos» e colocam em risco grávidas, mulheres e crianças. O MDM critica ainda a obrigatoriedade de triagem telefónica antes do acesso às urgências, alertando que estas decisões podem aumentar distâncias, atrasar cuidados e criar novas barreiras no acesso à saúde.




