Pela paz ao longo de 105 anos...

Manuel Rodrigues (Membro da Comissão Política)

O projecto do PCP é um projecto humanista

Para os comunistas, a luta pela paz é indissociável da luta pela soberania e os direitos, pela emancipação social dos trabalhadores e do povo, pela construção da sociedade nova, o socialismo e o comunismo.

Não foi por acaso que, na Revolução de Outubro, o primeiro decreto do poder soviético foi o Decreto da Paz, uma profunda aspiração do povo, no contexto da I Guerra Mundial em que a Rússia estava envolvida.

Nem tão pouco foi por acaso que a Revolução de Abril pôs fim a 13 anos de guerra colonial e a Constituição de Abril, aprovada a 2 de Abril de 1976, passaria a consagrar a abolição de todas as formas de imperialismo, colonialismo e agressão, a paz, o desarmamento, a dissolução dos blocos político-militares e o estabelecimento de um sistema de segurança colectiva, com vista à criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações entre os povos.

O PCP, desde a sua fundação em 1921, teve sempre, entre os seus objectivos programáticos fundamentais, a oposição à guerra imperialista e a defesa da paz, inserindo essa acção na luta mais geral pela liberdade, a democracia e o socialismo.

O PCP esteve ao lado dos que defenderam a República em Espanha, perante a sublevação fascista de Franco; acompanhou os feitos heróicos do Exército Vermelho na II Guerra Mundial e denunciou a colaboração efectiva do fascismo português com o nazi-fascismo; empenhou-se na acção pela proibição das armas atómicas; denunciou a guerra imperialista contra o povo da Coreia; foi solidário com a luta do povo do Vietname contra a agressão imperialista; lutou contra a guerra colonial, continuando solidário com a luta libertadora dos povos africanos.

Depois do 25 de Abril, o PCP lutou pelo desenvolvimento de relações de paz, amizade e cooperação com todos os povos, nomeadamente com os novos Estados formados nas ex-colónias portuguesas; ao contrário de outros, nunca deixou de estar ao lado da luta do povo timorense contra a ocupação indonésia, apoiada pelos EUA; interveio pelo desarmamento; denunciou o carácter imperialista das agressões à Jugoslávia, Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria; denunciou as causas da guerra na Ucrânia e bate-se por uma solução negociada que lhe ponha termo, com vista a dar resposta aos problemas de segurança colectiva na Europa, no respeito pelos princípios da Carta da ONU e da Acta Final da Conferência de Helsínquia; desenvolve a solidariedade com o povo palestiniano, condena o genocídio levado a cabo por Israel e exige a concretização do Estado da Palestina na base das resoluções da ONU e a Paz no Médio Oriente; é solidário com a luta do povo sarauí pelo seu direito à autodeterminação e contra a ocupação; denuncia o criminoso bloqueio a Cuba e desenvolve acções de solidariedade com o povo cubano; condena a agressão militar à Venezuela e ao Irão; denuncia a submissão e alinhamento do Governo português com a acção do imperialismo – entre muitos outros exemplos.

Uma posição clara pela paz e a solidariedade internacionalista, ao longo dos seus 105 anos de luta e que incluiu também o empenhamento do PCP no reforço do movimento unitário em defesa da paz. Uma posição que continua presente no seu actual Programa, coerente com os seus valores e projecto.

Já o mesmo não se pode dizer daqueles que, hipocritamente, falam da paz, mas são coniventes com a guerra; daqueles que, como o PSD, CDS, Chega e IL, mas também o PS, têm atrelado o País às guerras que os EUA, a NATO, a UE promoveu nas últimas décadas; daqueles que, invocando os valores morais, têm por boas todas as guerras que lhes “encham os bolsos” com a rapina e a exploração, os grupos económicos e multinacionais; daqueles que dizem que para defender a paz é preciso acelerar a corrida aos armamentos, escondendo que o que verdadeiramente lhes interessa é engrossar o negócio à indústria do armamento; daqueles que tentam esconder as verdadeiras causas das guerras – a exploração, a acção predadora, o domínio – procurando “fulanizar” os seus responsáveis, para que, em caso de necessidade, deles se possam descartar e, por outras mãos, a guerra possa seguir o seu curso “normal”; daqueles que, bombardeando e arrasando cidades inteiras, assassinando aos milhares, incluindo crianças, espalhando o sofrimento, a fome e o terror, não têm qualquer problema em ameaçar ou pôr mesmo em perigo o futuro da Humanidade.

O projecto do PCP é um projecto humanista, pelo que nunca poderia pactuar com ameaças, agressões e guerras que são, essas, sim, inerentes à natureza do capitalismo na sua fase imperialista, independentemente de quem lhe dá rosto em cada momento.

Por isso, também na defesa da paz, é com o PCP que os trabalhadores e o povo podem contar.



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