«Regular preços não é crime é uma necessidade social»
Na semana passada, dia 12, na Região Autónoma da Madeira, no centro do Funchal, o PCP esteve em contacto com a população para denunciar o «escandaloso aumento do custo de vida» e afirmar a necessidade de medidas urgentes que travem a especulação. Esta iniciativa inseriu-se na acção nacional do Partido que está a ser desenvolvida por todo o País (ver página seguinte).
Aumento do custo de vida afecta quem vive do seu trabalho
Perante novos agravamentos dos preços, agora novamente justificados com a guerra e outros pretextos, o PCP alertou, em nota de imprensa, que «não podem continuar a ser os trabalhadores e o povo a pagar a factura», sobretudo, enquanto «grandes grupos económicos acumulam lucros milionários».
«É preciso dizer não à guerra e aos novos pretextos para a subida dos preços. Não podem ser os trabalhadores e o povo a pagar a factura das pretensões militares de Trump e companhia», salientou, na mesma linha, Ricardo Lume, membro do Comité Central, durante a acção de contacto. O dirigente destacou igualmente que o custo de vida, mesmo que não se verificassem novos aumentos, é já hoje «insuportável para milhares de famílias», com aumentos brutais na habitação, na electricidade, água, gás, comunicações e, de forma particularmente grave, nos bens alimentares.
Perante esta realidade, acusam os comunistas madeirenses, o Governo – tal como PS, Chega e IL – limita-se a medidas insuficientes como mexer no Imposto sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) sobre combustíveis, recusando enfrentar os lucros milionários das multinacionais da energia. Exemplo disso, apontam, é a Galp, que obteve cerca de mil milhões de euros de lucros, enquanto trabalhadores, reformados, micro e pequenos empresários continuam a ser confrontados com aumentos que, na actual situação, são em grande medida especulativos.
«Nos lucros das multinacionais não se toca, mas no bolso dos trabalhadores, dos reformados e dos pequenos empresários, a história é sempre a mesma. São sempre os mesmos a pagar a factura», afirmou o dirigente.
Medidas claras e imediatas
Durante a iniciativa de contacto, Ricardo Lume salientou que outro rumo é possível e que o País e a Região «não estão condenados a esta realidade». «É possível travar o empobrecimento com medidas concretas de regulação e justiça económica», disse.
São algumas das medidas propostas pelos camaradas madeirenses regular os preços dos combustíveis, reduzindo as enormes margens de lucro das petrolíferas; fixar o preço do gás de botija em 20 euros, como já acontece em Espanha; controlar os preços dos bens alimentares essenciais; e intervir nos spreads e nas comissões bancárias que sufocam milhares de famílias.
DORAM apreciou aumentos dos preços na região
No dia 14, a Direcção da Organização Regional da Madeira (DORAM) do PCP esteve reunida, procedendo à análise da situação regional, nacional e internacional. Foram também discutidos aspectos da actividade, da iniciativa política e do reforço do Partido.
Sobre o aumento do custo de vida, a DORAM criticou severamente as opções políticas regionais, nacionais e internacionais que levam ao agravamento das condições de vida dos madeirenses e porto-santenses.
A Região, argumentam os camaradas madeirenses, é hoje a região do País com a maior taxa de inflação: 3,2 por cento no mês de Fevereiro, face aos 1,9 por cento registados no mesmo período a nível nacional.
Este valor da inflação está, mesmo assim, longe de reflectir os aumentos brutais na alimentação, rendas e créditos à habitação, comunicações e combustíveis. Por exemplo: as rendas das casas por metro quadrado aumentaram sete por cento em Fevereiro face ao mesmo mês de 2025, enquanto que a nível nacional aumentaram 5,2 por cento. Já o preço de venda de casas aumentou 12,3 por cento.




