Enfermeiros firmes na greve por condições melhores
Por melhores condições de trabalho e resolução de problemas velhos, invertendo a desvalorização da profissão e do SNS, os enfermeiros fizeram greve nacional, no dia 20, com adesão superior a 70 por cento.
É preciso inverter a política de desvalorização do SNS e dos seus profissionais
A luta foi convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), que destacou, como motivos para a greve nacional e as lutas que a antecederam, mais de uma dezena de situações que decorrem da contabilização de pontos para progressão (incluindo o pagamento de retroactivos, de Janeiro de 2018 a Dezembro de 2021) e que prejudicam milhares de profissionais.
A falta de decisão política, como o sindicato da CGTP-IN salientou, impõe uma inaceitável discriminação dos enfermeiros, relativamente a todos os demais grupos profissionais da área da saúde.
O SEP divulgou informações sobre o impacto da greve, ao longo dessa sexta-feira. Ao anunciar, ao final da tarde, que a paralisação teve uma adesão global de 71,8 por cento, o sindicato assinalou que «a ministra da Saúde, publicamente, reconheceu a pertinência da greve, ao afirmar que “é verdade que existem os problemas, é verdade que queremos resolver, é verdade que essas são exigências inscritas nos cadernos reivindicativos do SEP e não nos dos outros sindicatos de enfermagem”».
À governante, o sindicato garantiu que «não deixaremos de lutar, até que os “velhos” problemas, continuadamente apresentados em todas as reuniões, sejam resolvidos», e «continuaremos a organizar os enfermeiros», para «rejeitar toda e qualquer proposta que tenha como objectivo retirar direitos», «nomeadamente, a que diz respeito à organização do tempo de trabalho».
Trata-se, como lembrou o presidente do SEP, da proposta de Acordo Colectivo de Trabalho apresentada pelo Ministério da Saúde. Em declarações aos jornalistas, junto do Hospital de São José, em Lisboa, José Carlos Martins explicou que o Governo que pretende «introduzir um banco de horas de adaptabilidade e horários rígidos, para evitar o pagamento destes milhões de horas extraordinárias». Citado pela agência Lusa, realçou que 5,6 milhões de horas extraordinárias, realizadas num ano, correspondem a cerca de 900 enfermeiros em falta.
O sindicato e os enfermeiros reivindicam a admissão de mais profissionais (com o fim dos constrangimentos impostos pelo Governo), a contagem do tempo de serviço prestado em vínculo precário, a retirada do pacote laboral e, em geral, o reforço do Serviço Nacional de Saúde.




