- Nº 2731 (2026/04/2)

Relatora da ONU denuncia genocídio na Palestina

Internacional

Lusa


A relatora especial da ONU para a situação dos direitos humanos nos territórios palestinianos ocupados desde 1967, Francesca Albanese, acusou Israel de «institucionalizar a tortura como elemento estrutural do genocídio e do apartheid colonial» que impõe ao povo palestiniano.

Ao apresentar um relatório perante o Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, Francesca Albanese denunciou que Israel submete os palestinianos a uma violência sistemática.

Segundo o relatório, mais de 18.500 palestinianos foram presos desde 2023, incluindo mais de 1500 menores de idade. Do total, pelo menos 9.245 permanecem em centros de detenção onde estão documentadas práticas como espancamentos, violações, inanição, nudez forçada, privação de atenção médica, uso de cães, choques eléctricos e isolamento prolongado. Quatro mil prisioneiros palestinianos estão desaparecidos.

Também alertou para as condições de vida impostas por Israel na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. A destruição massiva de habitações, o bloqueio da ajuda humanitária, o assassinato de pessoal médico e a campanha de deslocação forçada da população fazem parte de uma estratégia deliberada para infligir sofrimento ao povo palestiniano.

«Quando a tortura se utiliza sistematicamente contra uma população é tanto um meio de dominação como uma prova de intenção genocida», afirmou a relatora especial. «Os testemunhos que estamos a recolher não são só histórias trágicas de sofrimento, mas também provas de crimes atrozes dirigidos contra a totalidade do povo palestiniano em todo o território ocupado», acrescentou.

Francesca Albanese exigiu que Israel ponha de imediato fim a todos esses crimes e permita o acesso de organismos internacionais aos centros de detenção.

Israel aprova lei que prevê pena de morte para palestinianos
O Parlamento israelita aprovou na segunda-feira, 30, um projeto de lei que prevê a pena de morte para palestinianos condenados por actos de resistência que sejam letais. A redacção da lei cria uma distinção que destina a sua aplicação quase exclusivamente aos palestinianos, dificultando a sua aplicação ao terrorismo sionista.

O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, um dos maiores defensores da lei, tem usado um pin em forma de forca, simbolizando as execuções previstas no projecto.

O Partido Comunista de Israel denuncia que a lei da pena de morte para os palestinianos é uma legislação racista que consolida um apartheid legal contra os palestinianos.

Opondo-se à pena de morte, a lista conjunta Hadash-Ta’al considera que esta lei institucionaliza o apartheid e o racismo, e a transformação do sistema jurídico em mais um instrumento da violenta repressão do povo palestiniano.

Israelitas manifestam-se contra a guerra
Milhares de manifestantes concentraram-se em Israel, nos passados dias 27 e 28, em protesto contra o governo de extrema-direita, o terrorismo dos colonos israelitas na Cisjordânia e a guerra contra o Irão.

A polícia israelita dispersou violentamente os manifestantes, prendeu 22 e procurou impedir a participação dos deputados do Hadash, Ayman Odeh e Ofer Cassif.

Após a manifestação, o deputado Ayman Odeh criticou a polícia, chamando-lhe “fascistas ao serviço do governo” que temem “os heróicos cidadãos judeus e árabes que saíram às ruas, apesar de tudo, para fazer ouvir a sua voz”. “Estamos a lutar pela vida de todos nós, e pela nossa causa, principalmente pela nossa integridade.” "Sinceramente, pelo futuro dos nossos filhos", escreveu, "basta de guerra, sim à paz".

A onda de protestos de sexta-feira e sábado foi a maior desde o início da guerra contra o Irão. Estes protestos ocorrem semanalmente desde o início da agressão israelita, reunindo muitos ativistas ligados a organizações pró-paz, como a Parceria para a Paz, a Hadash ou o Partido Comunista de Israel.

“O governo de extrema-direita está a normalizar uma realidade anormal de guerra sem fim, e nós continuaremos a normalizar a resistência à guerra. Mesmo que a maioria dos líderes da oposição continue a apoiá-la, nós continuaremos a resistir. Precisamente quando nos dizem que a resistência é proibida, torna-se nosso dever resistir”, afirmaram os organizadores do protesto.

Denunciando que milhares foram mortos no Irão, centenas no Líbano e nos territórios palestinianos ocupados e dezenas ficaram mortos e feridos em Israel, e que, ao mesmo tempo, a destruição e os ataques israelitas continuam na Faixa de Gaza, juntamente com a violência perpetrada por colonos e militares israelitas na Cisjordânia, o Hadash alerta que o Governo israelita está a promover a guerra para aprofundar uma política de guerra interminável, consolidar a ocupação e minar a democracia.