Novo despedimento colectivo no grupo Salvador Caetano
A Direcção da Organização Regional do Porto (DORP) e o Grupo Parlamentar do PCP tomaram conhecimento de mais um despedimento colectivo na empresa CaetanoBus, do grupo Salvador Caetano, sediado em Vila Nova de Gaia, que, no seguimento da aplicação de lay-off, pretende lançar para o desemprego 88 trabalhadores. A confirmar-se, este será o segundo processo de despedimento colectivo em pouco mais de um ano, afectando um total de 133 trabalhadores.
Acresce a esta questão o facto do Grupo ter encerrado o último ano com um volume de negócios agregado de aproximadamente cinco mil milhões de euros, gerando uma facturação na ordem de 1500 milhões só no negócio de retalho automóvel. Ao mesmo tempo continua a beneficiar de apoios públicos, nomeadamente ao abrigo da retribuição mínima mensal garantida, candidaturas ao abrigo do PT2020 e do QREN, investimentos do Banco Português de Fomento (dez milhões de euros há pouco mais de um ano, em Dezembro de 2024), entre outros.
Trata-se de benefícios garantidos, acusa a DORP, uma vez mais, à custa dos contribuintes, através de financiamento público e recurso à Segurança Social, requerendo «sistemática e abusivamente» o lay-off, usado pela CaetanoBus como «ante-câmara» para o desemprego.
«Longe de estar em crise, este continua a ser um sector altamente rendível, onde os lucros das empresas atingiram valores recorde nos últimos anos», lê-se no comunicado emitido pela organização regional. «Só em 2024, foram produzidos em Portugal 332 546 veículos (um aumento de 4,5 por cento em relação ao ano anterior) e colocados em circulação 249 269 veículos (mais 5,6 por cento do que no ano anterior).
«A actuação daquela empresa do grupo Salvador Caetano enquadra-se na linha patronal de tentativa de contenção salarial, aumento da exploração laboral e chantagem, com recurso a ameaças de despedimentos e deslocalizações», acusa a DORP.
PCP questiona Governo
O Grupo Parlamentar do PCP, através do deputado Alfredo Maia, questionou já o Governo, através dos ministros do Trabalho e da Economia, sobre que medidas irá implementar para defender estes trabalhadores e salvaguardar os seus postos de trabalho.




