- Nº 2731 (2026/04/2)Os trabalhadores das diferentes profissões que asseguram o funcionamento das instituições particulares de solidariedade social não aceitam as «migalhas» acordadas com a UGT e estão dispostos a manter a luta.
«Isto é imposição, não é negociação», protestou Ana Paula Quintela. Em declarações ao Avante!, anteontem, a dirigente do CESP/CGTP-IN desmentiu afirmações do presidente da CNIS, à agência Lusa, no dia da greve. O acordo com a FNE «foi assinado a 16 de Março e está em depósito, para publicação», afirmou a dirigente, adiantando que a CNS está a avaliar «o que fazer agora». «Vamos continuar a luta, isso é certo, os trabalhadores estão ganhos para isso», sublinhou.
No dia 26, com greve a nível nacional, centenas de trabalhadores concentraram-se em frente da sede da associação patronal, no Porto, e manifestaram-se nas imediações. Na noite anterior, activistas mantiveram ali uma vigília.
Presente na concentração, o Secretário-Geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira, acusou a CNIS de ter feito «uma jogada», ao chegar a acordo com sindicatos menos representativos, por «não querer responder àquilo que são as reivindicações justas dos trabalhadores».
A CNS – da qual fazem parte federações e sindicatos do comércio e serviços (CESP), dos professores e educadores (FENPROF), dos enfermeiros (SEP), profissionais de farmácia e paramédicos (SIFAP), cantinas e refeitórios (FESAHT), fisioterapeutas (SFP), serviços (STSSSS) e técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica (STSS) – incluiu, na sua proposta reivindicativa: 1050 euros como valor do salário mais baixo no sector; valorização das carreiras e profissões, para recuperar o leque salarial de 2009; acabar com a discriminação na carreira dos educadores de infância em creche, em relação aos da educação pré-escolar; semana de 35 horas para todos, sem perda de retribuição; horários regulados, que permitam conciliar a vida familiar com a vida profissional.
Junto da CNIS, mantém-se a exigência de «negociar seriamente» com os sindicatos que têm mais trabalhadores associados, «em vez de se limitar a fazer acordos para aumentos de migalhas com os sindicatos da UGT».