1916 – “Revolta da Páscoa” na Irlanda


A 24 de Abril de 1916, segunda-feira de Páscoa, nacionalistas irlandeses revoltaram-se contra o domínio britânico. Mais de um milhar de elementos ligados à Irmandade Republicana Irlandesa, ao Exército de Voluntários Irlandeses e ao Exército Cívico Irlandês, ocuparam postos-chave na cidade de Dublin e proclamaram a República da Irlanda: «Declaramos o direito do povo irlandês a possuir a Irlanda», lia-se na referida proclamação, assinada por sete dirigentes nacionalistas e lida em plena rua por um deles, Patrick Pearse. A revolta foi brutalmente esmagada pelas forças inglesas, que prenderam milhares de militantes nacionalistas e executaram os principais líderes, entre os quais Patrick Pearse e o socialista James Connoly (este último gravemente ferido, amarrado a uma cadeira).

Apesar de derrota, a “Revolta da Páscoa” foi um momento fundamental para a luta do povo irlandês pela sua independência. A audácia dos rebeldes e a violência da repressão levaram ao aumento da simpatia popular pela causa republicana. Entre 1919 e 1921, a guerra de independência da Irlanda conduziu à criação do Estado Livre Irlandês, autónomo mas ainda não totalmente independente, e à separação de seis condados a norte, que se mantiveram – e mantêm ainda hoje – ligados ao Reino Unido.

Apesar das divergências verificadas no campo republicano, que inclusivamente conduziram à guerra civil irlandesa (1921-1923), a “Revolta da Páscoa” continua a ser um momento unificador, ainda hoje celebrado.