- Nº 2732 (2026/04/9)

Entrega do novo cartão do Partido contribuirá para o reforço da organização

PCP

A entrega do novo cartão de membro do Partido é uma das prioridades apontadas pelo Comité Central na resolução Um PCP mais forte. É preciso. É possível. Em entrevista ao Avante!, na semana passada, Rui Braga, membro do Secretariado do CC, explicou o porquê.


Comecemos pelo mais óbvio, ou talvez não. O que é o cartão de membro do Partido, o que significa o cartão para o Partido, o que deve significar para o militante? Que valor tem?

Eu começava pelo valor simbólico. Estamos a falar da entrega do novo cartão de membro de um Partido que que tem características únicas no panorama nacional. Não só pela sua identidade, pelos seus princípios, mas pelo projecto que tem. Projecto que no fundo, sintetizando, tem por objectivo supremo a transformação da sociedade, o fim da exploração do homem pelo homem. Por isso tem toda essa carga simbólica.

É importante recordar que nem sempre foi assim. Se recuarmos aos tempos da ditadura, por razões óbvias, não se entregava o cartão. Durante 48 anos o Partido lutou contra a longa noite fascista, que condenou o nosso povo à miséria, ao sofrimento, e muitos pagaram com a própria vida.

Por outro lado, estamos a falar também do reforço de um compromisso que tem duas vertentes: da parte de quem o entrega, neste caso o Partido, porque reconhece nesse membro o seu empenho, dedicação, trabalho e militância. Ao mesmo tempo, estamos a falar da renovação de um compromisso da parte de quem o recebe, porque mostra que está disponível para continuar a lutar pela transformação da sociedade.

O CC na resolução Um PCP mais forte. É preciso! É possível! insere este processo de entrega do novo cartão no esforço de reforço do Partido. Como é que isto se relaciona?

Nós, tal como a resolução do CC aponta, agimos numa situação internacional e nacional carregadas de grandes perigos e complexidades, que colocam fortes exigências aos trabalhadores e aos povos de todo o mundo, em que a luta de massas e das organizações de massas assumem um papel determinante. Foi neste contexto que a resolução do CC apontou o desenvolvimento de uma acção integrada de reforço da organização e intervenção do Partido, na concretização das conclusões do XXII Congresso.

A entrega do novo cartão é apenas um dos elementos que se aponta. Também podemos afirmar que com a sua entrega poderemos, se as coisas forem bem preparadas, dar resposta a um conjunto de prioridades que nos estão colocadas.

Aliás, a entrega do novo cartão de membro do Partido não deve ser um acto puramente administrativo e por isso exige que, desde logo, ao nível das concelhias, das freguesias, dos distritos e das células de empresa, se prepare atempadamente todo esse trabalho. Identificando quem fala com quem, quem é o camarada que está em melhores condições para realizar essa tarefa de falar com outro camarada e, com base nas outras prioridades que estão elencadas, poder, desde logo, definir uma metodologia quevá ao encontro dos objectivos traçados.

Ou seja, vamos falar com um camarada que, por razões várias, já não falamos há algum tempo. Mas identificamos que ele trabalha numa certa empresa que é prioritária para o trabalho do Partido, mas onde não temos célula. Ora, podemos falar com esse camarada acerca dos principais problemas que são sentidos pelos trabalhadores na empresa. Podemos dar-lhe a tarefa de fazer uma listagem de nomes de potenciais recrutamentos: de colegas de trabalho, malta honrada, séria, honesta, preocupada com a situação. E mesmo que não resultem em recrutamento, podem ser “pontas” com quem podemos falar regularmente.

Mas também se deve aproveitar a entrega do cartão para regularizar a sua situação, seja a questão financeira, ao nível da quotização, seja para discutir questões sobre as quais o camarada possa ter dúvidas.

Pode-se ainda ver com o camarada qual a sua disponibilidade para o trabalho do Partido. Às vezes costumo dizer que, por várias razões, existem camaradas cuja disponibilidade para o trabalho do Partido é diminuta. Se encontrarmos um camarada que nos diz que só tem duas horas para trabalho militante, o problema não é do camarada. O problema passa a ser nosso, que teremos de encontrar, dentro daquilo que são as necessidades do Partido, maneira de aproveitar essas duas horas.

Se o fizermos assim, julgo que estaremos a contribuir para o reforço do Partido e para a responsabilização de quadros, correspondendo, no fundo, ao que a resolução aponta.

Já deste conta de alguns elementos, mas como é que se desenvolverá este processo de entrega? Em termos logísticos e não só?

Quando pensámos em todo este processo, solicitámos às organizações que indicassem como queriam que fosse feita a agregação dos cartões. Ou seja, como poderiam os cartões ser agregados por concelhias, por comissões de freguesia, por células de empresa? No fundo, da maneira que mais facilitasse este trabalho.

O novo cartão será acompanhado por uma ficha de actualização de dados que, independentemente de haver ou não actualização de dados, deve ser entregue centralmente, porque isso é a forma de comprovar que esse militante foi contactado.

Além disso, será acompanhado de uma ficha de débito directo para a transferência da quotização, pretendendo-se assim alargar o mais possível, o recebimento da quotização. Estamos também a trabalhar para a ficha de assinatura, quer do Avante!, quer d’OMilitante, procurando desta forma difundir a imprensa do Partido.

Terminado o processo, será importante cada camarada saber qual é o organismo onde reúne e saber-se quem é o camarada que tem a responsabilidade de fazer o contacto com esse membro do Partido.

Existem, neste processo, mais objectivos para além dos que já anunciaste?

A entrega do novo cartão é um elemento que pode ajudar à persecução de todos os outros objectivos elencados na resolução. Agora, o objectivo central é o reforço colectivo partidárioe que mais camaradas participem activamente na vida do Partido. Precisamos de mais camaradas responsabilizados, de estruturar organismos que efectivamente estejam ligados à vida e que possam cumprir aquele que é o seu papel.

Eu diria que estes são os objectivos centrais que se inserem em toda esta acção, que tem de ser integrada.

Espera-se que este processo de entrega do novo cartão dure até quando?

Nós não temos um Partido para tratar da entrega do novo cartão, outro para tratar das questões da luta ou outro para tratar das diversas frentes onde estamos e queremos estar envolvidos. Por isso, é um trabalho que vai ter de andar ao mesmo tempo que desenvolvemos o conjunto de tarefas que temos em mãos. Mas o nosso objectivo é que até ao final deste ano a maioria da organização tenha já concluído este processo.