- Nº 2732 (2026/04/9)

«Grande dinâmica» para dia 17 contra o pacote laboral

Trabalhadores

Horas antes de, na segunda-feira, o Governo se voltar a reunir com patrões e UGT, a CGTP-IN voltou a denunciar a marginalização a que a sujeitam, para não discutirem as propostas dos trabalhadores.

Para a manifestação nacional de dia 17, «estamos com uma grande dinâmica», disse Tiago Oliveira ao Avante!, durante a conferência de imprensa que a confederação promoveu em frente ao Ministério do Trabalho, ao início da tarde de segunda-feira, dia 6.

O Secretário-Geral da CGTP-IN referiu que a jornada de luta estava em análise na reunião da Comissão Executiva, que iria prosseguir depois do intervalo de almoço. Vário membros deste órgão dirigente acompanharam Tiago Oliveira no encontro com os jornalistas.

A confederação confia que 17 de Abril «vai ser um grande momento de luta, um grande momento de afirmação, mais um momento em que os trabalhadores têm todas as condições para vir para a rua e lutar, contra este pacote laboral e pela melhoria das condições de vida e trabalho».

Cozinhado à socapa
Perante a convocação de mais uma reunião apenas com representantes das confederações patronais e da UGT, a Intersindical Nacional reafirmou que tem «inteiro direito, de estar presente nas reuniões de Concertação Social», porque faz parte desse órgão tripartido do Conselho Económico e Social.

Com as «reuniões paralelas», fica demonstrado que o Governo, «à socapa, quer construir um pacote laboral que vai contra os trabalhadores» e «não quer dar resposta, de facto, e discutir os problemas concretos que a CGTP já apresentou e as soluções que a CGTP quer ver discutidas».

«Estamos perante um Governo profundamente antidemocrático», «aquilo que está a levar a cabo é anticonstitucional» e «nós não podemos ficar calados», afirmou Tiago Oliveira, acusando o primeiro-ministro de estar «completamente desfasado da realidade», quando declara que «o País está melhor e os trabalhadores estão melhores».

O dirigente sindical recordou que, «entre 2022 e 2024, o preço do cabaz alimentar aumentou mais de 36 por cento», o aumento do custo da habitação, em 2025 e já este ano, «ultrapassa os 30 por cento» e «estamos a assistir brutalmente ao aumento dos preços de combustíveis».

Tiago Oliveira reiterou que a central «não vai participar em reuniões paralelas», com as quais o Governo pretende «fazer de conta e passar para fora uma imagem de que está a discutir, quando de facto nos está a pôr à margem».

Num protesto semelhante, a 16 de Março, uma delegação da CGTP-IN chegou a ser recebida no Ministério do Trabalho. Mas, esclareceu agora o Secretário-Geral, o Governo pretendeu «colocar a CGTP numa sala à parte, enquanto noutra sala, ao lado, estavam os outros todos reunidos». Ora, «isto nós não aceitamos» e «exigimos que esta discussão seja levada à Concertação Social», para que «se possa apresentar e discutir aquilo que são as propostas dos trabalhadores». Criticou que se esteja a «discutir sempre as propostas dos mesmos, sempre as propostas dos patrões».

Contudo, observou Tiago Oliveira, o Governo opta por «estas reuniões bilaterais, ou unilaterais, porque todos eles pensam o mesmo», e «não convoca a Concertação Social, porque, convocando-a, tem a obrigatoriedade de ouvir a CGTP».

 

Para recuos, não!

Questionado sobre a possibilidade de debater o pacote laboral do Governo ou, até, «chegar a um meio-termo», Tiago Oliveira recordou que a confederação «tem sido firme desde o início». «Nós queremos aquilo que os trabalhadores evidenciaram na greve geral, que fizeram no final do ano passado: a rejeição do pacote laboral», frisou, insistindo que, «para discutir retirada de direitos, para discutir recuos, não contem connosco», pois «o que nós procuramos é elevar e melhorar as condições de vida de quem trabalha».

Enquanto o Governo não alterar a sua posição, «todas as formas de luta estão em cima da mesa», incluindo uma nova greve geral.

Quanto à declarada intenção do Executivo PSD/CDS de, mesmo sem acordo na Concertação, enviar o documento à Assembleia da República, a CGTP-IN fez questão de «confirmar que haverá um momento, em que os trabalhadores se farão ouvir e irão responsabilizar os partidos na AR, pela posição que irão tomar relativamente ao pacote laboral».

O Secretário-Geral da CGTP-IN fez questão de repisar que «exigimos a retirada deste pacote laboral, exigimos discutir avanços, melhorias nas condições de vida quem trabalha». Perante «aquilo que cada um de nós vive hoje, a precariedade que existe, o aumento do custo de vida, as dificuldades que temos, a desregulação dos horários de trabalho«, «só podemos discutir a melhoria das condições de vida, para discutir mais retrocessos não contem connosco».

 

Voz do trabalho nas ruas de Lisboa

A manifestação nacional de 17 de Abril, sexta-feira, em Lisboa, contra o pacote laboral, por aumentos de salários e garantia de direitos, para uma vida melhor, tem início marcado para o Saldanha, às 14h30. Segue para junto da Assembleia da República.

Apresentando pré-avisos de greve e organizando transportes colectivos, sindicatos, federações e uniões mobilizam trabalhadores de todos os sectores e distritos.

Para o Funchal, está convocada uma concentração, às 15h30, junto do Parlamento Regional.