Crise económica iminente

Associações empresariais e agrícolas acusam o Governo de não dar resposta a um pedido urgente de audiência dirigido ao ministro da Economia e da Coesão Territorial, alertando para a iminência de uma crise económica.

Há risco de um novo agravamento da economia

Lusa

Segundo um comunicado da Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas, as associações solicitaram, a 17 de Abril, uma reunião com carácter de urgência para entregar um documento onde expõem a situação económica e social do País. No entanto, foram informadas pelo gabinete ministerial de que o ministro não tem agenda disponível nas próximas semanas, tendo o assunto sido remetido para o secretário de Estado da Economia, também ele ausente no estrangeiro.

Perante o silêncio do Executivo PSD/CDS, decidiram tornar pública a sua análise e enviar o documento aos partidos com assento parlamentar e ao Presidente da República. No texto alertam que a economia portuguesa, em particular as micro, pequenas e médias empresas e a agricultura familiar, enfrenta o risco de um novo agravamento, impulsionado pela subida dos combustíveis e pelo aumento generalizado dos custos de produção.

Entre as medidas propostas estão o controlo urgente do mercado energético, a fixação de preços para travar a especulação, apoios financeiros a fundo perdido para os sectores mais afectados, o alargamento do acesso ao gasóleo profissional, a redução da carga fiscal sobre os combustíveis e o reforço da transição energética.

As associações defendem também apoios específicos para mitigar o aumento dos custos dos fertilizantes e outros factores de produção, incluindo a criação de um programa público de compras conjuntas.

Insuficiências
Por seu lado, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) alertou para «demoras, insuficiências e demasiada madeira caída nas matas» três meses após a tempestade Kristin e o conjunto de intempéries que se lhe seguiu. Em nota de imprensa de 23 de Abril, a Confederação denuncia que os apoios anunciados pelo Governo ficam aquém da dimensão real dos prejuízos e critica o desajustamento das medidas, que deixam muitos agricultores excluídos.

A CNA defende o alargamento da ajuda simplificada até aos 15 mil euros e a inclusão das culturas temporárias, actualmente excluídas, sublinhando que muitos produtores com perdas em culturas como milho e hortícolas ficam sem acesso a apoios. Questiona ainda o reduzido número de candidaturas ao programa de restabelecimento do potencial produtivo e pede maior celeridade nos processos.

No plano florestal, a Confederação alerta para o risco acrescido de incêndios devido à grande quantidade de madeira caída, defendendo a criação urgente de condições para a sua remoção e de parques de recepção que garantam preços justos aos produtores.

A CNA considera também essencial a criação de apoios à perda de rendimento, lembrando que muitas explorações perderam colheitas na totalidade, e alerta para o agravamento dos custos de produção, associado à situação internacional, defendendo medidas que travem a subida dos combustíveis, fertilizantes e outros factores de produção.