- Nº 2737 (2026/05/14)

Plataforma de Lisboa em Defesa do SNS pede intervenção de António José Seguro

Nacional

A Plataforma de Lisboa em Defesa do Serviço Nacional de Saúde entregou, a 7 de Maio, uma carta-apelo ao Presidente da República, António José Seguro, denunciando o agravamento das dificuldades de acesso aos cuidados de saúde na Área Metropolitana de Lisboa.

O documento, subscrito por sindicatos, comissões de utentes e organizações sociais, denuncia o encerramento de serviços, a falta de profissionais e o aumento dos tempos de espera, alertando para consequências já visíveis em vários indicadores de saúde. A plataforma recorda os avanços alcançados com o Serviço Nacional de Saúde (SNS) após Abril, destacando a universalização do acesso aos cuidados, a redução da mortalidade infantil e o aumento da esperança média de vida.

Apesar disso, considera que o SNS atravessa uma «gradual degradação», associada à falta de investimento e à escassez de recursos humanos. Segundo a carta, mais de 1,5 milhões de utentes continuam sem médico de família, dos quais mais de 1,1 milhões vivem na região de Lisboa e Vale do Tejo. Na ULS Amadora-Sintra, mais de 183 mil pessoas não têm médico atribuído.

A plataforma critica ainda o encerramento ou redução de horários de urgências, sobretudo em ginecologia e obstetrícia, referindo que o fecho destes serviços nos hospitais de Vila Franca de Xira e Barreiro contribuiu para o aumento de partos fora do ambiente hospitalar. Em 2025 registaram-se 60 partos em ambulâncias, 23 na via pública e 153 em casa.

A situação da cirurgia cardíaca e da oncologia é também apontada como preocupante, com doentes fora do tempo máximo recomendado para cirurgia e encerramento de centros oncológicos da mama devido à falta de profissionais.

No documento, a plataforma acusa ainda o Governo de favorecer o sector privado através da «suborçamentação sistemática» do SNS e defende medidas como a valorização das carreiras dos profissionais, o reforço dos cuidados de saúde primários públicos, a reabertura da urgência de obstetrícia do Hospital de Vila Franca de Xira e o reforço da Rede Nacional de Cuidados Continuados e Paliativos.