COM A LUTA DOS TRABALHADORES, DERROTAR OS PROJECTOS DE EXPLORAÇÃO, AFIRMAR O DIREITO A UMA VIDA MELHOR
Uma luta que é para travar agora
Por mais propaganda que o Governo promova, a realidade aí está a desmenti-la, com a dureza de condições de vida, o aumento do custo de vida, a dificuldade de acesso a serviços públicos, a pressão dos preços da habitação. Onde o primeiro-ministro vislumbra «rota de crescimento económico» e enfeita a situação nacional com elogiosos rankings estatísticos, o que os trabalhadores e o povo sentem e enfrentam é o galopante aumento dos preços dos alimentos, dos combustíveis e do gás, da prestação na habitação.
Uma situação que não é separável dos efeitos de uma guerra que o Governo apoia e suporta, como agora ficou revelado com a vergonhosa postura de subserviência a que sujeitou o País com o uso da Base das Lajes, facto que o PCP não só denunciou como propôs a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para o apuramento total das condições que o envolveram. A tentativa do Governo em invocar os efeitos das tempestades, cuja dimensão dos prejuízos continua a não ter a resposta prometida e necessária, para justificar problemas com que o povo se confronta, visa desviar atenções e iludir razões e responsabilidades na degradação da situação nacional. Degradação que encontra, também e essencialmente, explicação nas opções de um Governo que se recusa a controlar preços, a impor a redução de spreads e comissões bancárias que fazem aumentar as prestações de empréstimos à habitação e engordam os lucros da banca, a favorecer a acumulação de lucros dos grupos económicos como todos os dias se revelam com o anúncio de resultados do primeiro trimestre. Uma situação que acrescenta dias ao mês face ao curto valor das reformas e dos salários para garantir os compromissos que a vida exige, e que tem na luta essa exigência por aumentos que não podem ser adiados. É nesse sentido que o PCP já apresentou a proposta de aumento intercalar de 50 euros no valor das reformas para todos os pensionistas. E é com esse objectivo que em muitas empresas e sectores os trabalhadores exigem aumentos de salários que reponham o poder de compra perdido.
O pacote laboral que o Governo pretende impor num quadro de ampla rejeição já expressa pelos trabalhadores é uma peça de retrocesso social visando liquidar direitos e favorecer a exploração dos trabalhadores. É contra esse objectivo que aí está anunciada essa luta maior que a 3 de Junho convocará todos os trabalhadores a expressar o seu repúdio e a contribuir com a afirmação dos seus direitos para a derrota definitiva desse instrumento ao serviço do capital. Uma luta que terá de enfrentar o caudal de mistificações para iludir a natureza do seu conteúdo e o que transporta de aumento de precariedade, de desregulação de horários e valor de trabalho não pago, de facilitação de despedimentos, de limitação a direitos à greve ou à actividade sindical. Uma luta tão mais forte quanto se ampliar o esclarecimento e a denúncia, tão mais mobilizadora quanto se desmontar as manobras que pretendem vislumbrar melhorias entre versões, escondendo que ali na proposta do Governo está não só tudo o que de negativo a actual legislação laboral já comporta, como novas e graves disposições que atentam contra os trabalhadores. Uma luta que é para travar agora e não para alimentar ilusões quanto ao percurso parlamentar a que a proposta do Governo, agora aí entregue, será sujeita. Uma luta que não se pode adiar porque é antes e não depois do mal-estar feito que tem de ser expressa essa afirmação de rejeição dos trabalhadores, factor determinante para travar, também no plano da Assembleia da República, as não poucas manobras e jogos de sombras que já se esboçam. É na acção convergente a partir de cada empresa e sector e da assumida consciência da gravidade da ameaça que o pacote laboral constitui, que essa força imensa que emana da luta dos trabalhadores mais uma vez se expressará.
Num período marcado por muitas e importantes acções de luta já realizadas, de que são exemplo as dos enfermeiros e dos professores da passada semana, prossegue a intensa e diversificada intervenção e iniciativa do Partido de contacto com trabalhadores e população, a par de importantes momentos da vida das organizações com a realização de diversas assembleias concelhias e regionais inseridas no movimento geral de reforço do Partido. Uma acção de reforço que é determinante para garantir a resposta que a situação nacional exige e para dar força à luta pela ruptura e a alternativa que se impõe.




