- Nº 2738 (2026/05/21)
Milhares de malianos manifestaram-se, no dia 9, em Bamako e outras localidades, expressando apoio à luta que o governo e as forças armadas do país travam contra «múltiplos grupos terroristas e separatistas apoiados por potências estrangeiras». Duas semanas antes, a 25 de Abril, seis cidades do Mali, incluindo a capital, foram atacadas por 12 mil jihadistas e separatistas, numa acção coordenada. Os combates provocaram numerosas vítimas, civis e militares, entre as quais o ministro da Defesa, Sadio Camara.
Nas manifestações de 9 de Maio em Bamako, segundo relatou na altura o Peoples Dispatch, um meio de informação internacional independente, milhares de pessoas encheram o Estádio Mamadou Konaté, num comício por “Um Mali que se mantém firme, unido, em paz e seguro”. Dirigindo-se aos participantes, o presidente do Conselho Nacional da Juventude do Mali, Ibrahim Cissé, apelou aos jovens para que se juntem ao exército em número cada vez maior para enfrentar os grupos promotores do terror. «Recusamos a ser uma juventude de espectadores», vincou. Intervindo em nome das mulheres malianas, Kouyaté Sissoko, representante da Coordenadora das Associações de Mulheres e ONG do Mali, declarou que «somos todos soldados». Descrevendo o ataque de Abril como «cobarde», o porta-voz governamental e ministro da Administração Territorial e Descentralização, Issa Coulibaly, ressaltou que «o povo maliano mostrou que não cederá ao medo ou à manipulação».
A cerca de 650 quilómetros a nordeste de Bamako, a cidade de Mopti foi também atacada por forças ligadas à Al-Qaeda e aos separatistas tuaregues. Agora, líderes da sociedade civil maliana reuniram-se ali e ouviram o governador da região, Daouda Dembelé, assegurar que «Mopti permanecerá forte e um baluarte».
Entre as diversas manifestações de apoio à independência e soberania do Mali, contou-se, 425 quilómetros a leste de Bamako, um grande comício no centro da cidade de San, na região fronteiriça com o Burkina Faso. Falando aos participantes – jovens, dirigentes de organizações de mulheres e líderes religiosos e tradicionais –, a presidente da comuna urbana de San, Félicité Diarra, prestou homenagem aos militares e civis tombados em Abril e reiterou o apoio do povo da região ao governo encabeçado por Assimi Goita.
O Mali, com o Burkina Faso e o Níger, integram a Aliança dos Estados do Sahel e, nos últimos anos, expulsaram tropas francesas e norte-americanas dos seus territórios, proibiram bases militares estrangeiras e retiraram-se da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (Cedeao), acusada de defender os interesses neocoloniais da França.
Bamako, Uagadugu e Niamey também acusam Paris, e mais recentemente, Kiev, de financiar, treinar e armar grupos jihadistas e separatistas do Sahel (alguns deles equipados até com drones ucranianos), procurando impedir o desenvolvimento pacífico dos países que «ousam» libertar-se das relações neocoloniais e escolher o seu próprio futuro.
Embora reconhecendo a complexa situação actual no Mali, o presidente Assimi Goita garante que «nenhuma violência, nenhuma intimidação, muito menos tentativas desesperadas de desestabilização», reverterão o progresso que o país alcançou. E assegura ao povo maliano que «a soberania será consolidada».