1951 – assinaturas pela paz recolhidas em Portugal


A viragem da década de 40 para a de 50 do século XX foi marcada, em Portugal, pelo incremento da repressão. A entrada de Portugal no lote de países fundadores da NATO deu novo fôlego ao fascismo, que aproveitou a nova realidade internacional e os novos apoios de que dispunha para tentar socavar divisões no seio da oposição com o intuito de isolar os comunistas. A ampla unidade antifascista alcançada em torno do MUNAF desmoronou-se logo após as “eleições” de 1949, com a candidatura oposicionista de Norton de Matos; como outros destacados dirigentes do PCP, Álvaro Cunhal foi preso em 1949, só saindo da prisão em 1960, na audaciosa fuga colectiva da cadeia do Forte de Peniche.

Nesses anos difíceis, desenvolveu-se uma frente de luta que se pretendia ampla e legal, a luta pela paz e o desarmamento, assumida à escala internacional pelo recém-criado Conselho Mundial da Paz: o “Apelo de Estocolmo”, pela proibição das armas nucleares, e a petição que exigia um “Pacto de Paz entre as Cinco Grandes Potências” (EUA, URSS, Inglaterra, França e China), mobilizaram milhões em todo o mundo e muitos em Portugal. Mas a legalidade almejada não foi alcançada e a PIDE lançou-se ao ataque dos “partidários da paz”, com muitos a serem presos por recolherem assinaturas. Apesar disso, milhares de pessoas deram o nome por estas justas causas.