- Nº 2738 (2026/05/21)Na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), dezenas de estudantes participaram, dia 13, no Encontro de Estudantes pela Paz, promovido pelo Comité Nacional Preparatório de Portugal ao 20.º Festival Mundial da Juventude e Estudantes.
Três painéis e uma Tribuna Anti-imperialista, com dezenas de oradores, preencheram o dia de discussão e debate que juntou estudantes e jovens de diversas instituições de ensino superior e secundário, de diferentes pontos do País. Em foco estiveram temáticas ligadas à paz, à guerra, mas também ao direito internacional, aos movimentos de libertação nacional e aos direitos que são, invariavelmente, relegados para segundo plano às mãos do imperialimso.
A intervenção de abertura do encontro foi realizada por Hermenegildo Fernandes, director da FLUL, que, em primeiro lugar, valorizou a realização da iniciativa. Coube-lhe enquadrar, historicamente, a discussão que ali se realizou ao longo do dia. Esmiuçando alguns dos principais desenvolvimentos históricos da segunda metade do século XX, o académico abordou o que considerou serem algumas das grandes novidades do virar do século: a instantaneidade, a nível global, das repercussões dos conflito e o fim dos mecanismos de contenção dos mesmos.
O tempo dos monstros
Sobre Direito Internacional, os seus princípios e a realidade, mote a partir do qual se realizou a discussão do primeiro painel, falaram, entre estudantes e dirigentes do movimento associativo juvenil e estudantil, o Major-General Agostinho Costa e o professor Eduardo Vera Cruz, director da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Pela sua voz, foram abordadas temáticas como a transição de um mundo unipolar para um multipolar. As «dores de parto» da nova ordem mundial, como caracterizou o Major-General. Por sua vez, o professor Vera Cruz apontou as principais razões que motivam os conflitos actuais: o controlo de corredores comerciais, de fontes energéticas e a manutenção da prevalência do dólar como moeda internacional.
Foram ainda abordadas temáticas como a importância da soberania e segurança alimentar, a duplicidade de critérios e enviesamento nos planos curriculares do ensino superior em matéria de relações internacionais, o papel fundamental do associativismo juvenil e dos jovens na luta pela paz, mas também as dificuldades inerentes à sua mobilização.
Memória, futuro e direitos
Num segundo painel, sobre a memória, presente e futuro das lutas de libertação nacional falaram nove oradores: dirigentes associativos de diversas estruturas de estudantes dos países africanos de língua oficial portuguesa em Portugal. Com eles estiveram Julie Neves, do CPPC e Dinis Silveira, que abordaram a importância da solidariedade internacionalista junto destes movimentos de independência e a substituição do controlo colonial tradicional por relações de dependência económica e científica.
O terceiro e último painel juntou dirigentes associativos estudantis, Pedro Esteves, da Juventude Operária Católica, a activista ambiental Bianca Castro e a jornalista Margarida Davim, com uma discussão subordinada ao tema «Portugal, Guerra ou Direitos».
Tribuna Anti-imperialista
Diversos contributos dados por estudantes enriqueceram a Tribuna Anti-Imperialista que encerrou o dia. Depois de ouvidos testemunhos em vídeo de estudantes palestinianos e cubanos, foi Gonçalo Lopes, presidente da Federação Mundial da Juventude Democrática, quem encerrou o encontro. Na sua intervenção destacou o sofrimento – «ataques, bloqueios, mortes, assassinatos» – provocado a diversos povos do mundo, durante décadas, às mãos do imperialismo. Décadas que, como disse, representam também «gerações de resistência, luta e solidariedade». «Décadas de luta pela soberania e pela concretização dos seus sonhos. Jovens cubanos, palestinianos, venezuelanos, saarauís e libaneses. Todos eles em luta pelo projecto de país que querem construir e viver», afirmou.
Esteve ainda presente Ariel Valhuerdi, conselheiro da Embaixada da República de Cuba em Portugal.