- Nº 2739 (2026/05/28)No Dia de Indignação e Protesto, promovido pela Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos – MURPI, a 21 de Maio, reclamou-se o aumento intercalar das pensões e a criação de uma rede pública de lares.
Nas tribunas públicas realizadas em Braga, Lisboa, Setúbal, Litoral Alentejano, Porto, Coimbra, Aveiro, Benavente, Leiria, Santarém, Beja e Évora, em conjunto com a Inter-Reformados/CGTP-IN, alertou-se igualmente para a necessidade de travar o aumento dos preços dos bens e serviços essenciais, defender o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a gratuitidade dos medicamentos, reforçar o apoio domiciliário e os centros de dia, garantir transportes públicos gratuitos em todo o País e apoiar o movimento associativo dos reformados, pensionistas e idosos. No Funchal alertou-se para o facto de os custos da insularidade pesarem especialmente para as populações mais vulneráveis.
Cansados mas não vergados
Nas acções realizadas foi apresentada uma saudação onde se explica a razão da «indignação» e do «protesto» dos reformados, pensionistas e idosos, que afirmam estar cansados de esperar que «se cumpram promessas eleitorais» e a Constituição da República Portuguesa, mas não «vergados», porque merecem «mais do que as parcas migalhas que nos têm sido dadas, como se de um favor se tratasse».
A geração que «fez a Revolução de Abril» e que sabe «o que custou conquistar direitos para que os reformados e pensionistas vivessem com dignidade» alertou para o aumento constante dos preços do cabaz alimentar, que o escasso aumento das reformas não acompanha, agravando as dificuldades de milhares de idosos confrontados diariamente com a escolha entre alimentação, medicamentos ou despesas básicas da casa.
As críticas estenderam-se à ausência de uma rede pública de lares e às políticas que, segundo o MURPI, têm fragilizado o SNS e o sistema público de Segurança Social.
«Não pensem que nos vergam à teia da pobreza em que nos querem enredar», afirmaram os reformados e pensionistas, sublinhando que «não queremos apenas um bónus», mas antes «um aumento intercalar das pensões».
Aumentos insignificantes
Em Lisboa, frente à Assembleia da República, Isabel Gomes, presidente da Direcção do MURPI, acusou o Governo de «propaganda» quando afirma estar a combater a pobreza entre reformados e pensionistas.
Recordando a reivindicação de um aumento de 5% para todas as pensões, num mínimo de 75 euros, a dirigente criticou a actualização anual das reformas, que considerou «manifestamente insuficiente» perante o aumento do custo de vida e dos preços dos bens essenciais. Exigiu, por isso, «um aumento intercalar, para já e sem demoras», denunciando o agravamento das dificuldades sentidas por quem vive de reformas baixas.
Ataque à Segurança Social
Sobre a justificação apresentada pelo Governo para não aumentar as pensões – a necessidade de salvaguardar a sustentabilidade da Segurança Social –, Isabel Gomes contrapôs que o sistema público registou, em 2024, «o maior excedente desde 2010», graças às contribuições dos trabalhadores.
A dirigente alertou para aquilo que considera ser uma estratégia de desvio das receitas da Segurança Social para a especulação financeira, envolvendo seguradoras, banca e a chamada União das Poupanças e Investimento, promovida pela União Europeia.
Quanto ao Complemento Solidário para Idosos (CSI), criticou o facto de milhares de reformados com pensões muito baixas continuarem excluídos deste apoio.
Na intervenção de encerramento, Isabel Gomes reafirmou a solidariedade do MURPI com a greve geral marcada para 3 de Junho e sublinhou que «a luta contra a guerra e pela paz une todas as gerações».
Antes, Arlindo Costa, da Inter-Reformados, apelou à subscrição de uma petição por melhores reformas e pensões, gratuitidade dos medicamentos e dos transportes públicos; Luísa Ameixa, da Federação de Setúbal, alertou para as dificuldades crescentes provocadas pelo aumento do custo de vida; João Pequeno, da Federação de Lisboa, defendeu a criação de uma rede pública de lares; Angelina Graça, de 88 anos, testemunhou as dificuldades de viver com uma reforma que «só chega ao meio do mês».
A tribuna contou ainda com a declamação do poema «São pessoas como tu», de Joaquim Pessoa, por Isabel Leal, da Associação dos Olivais. Tal como em Lisboa, as acções realizadas em todo o País terminaram ao som de «Grândola, Vila Morena».
«O público é de todos, o privado é só de alguns»
A presidente da Direcção do MURPI, Isabel Gomes, defendeu um aumento intercalar das reformas «num mínimo de 50 euros» já a partir de Julho, considerando inaceitável que milhares de reformados continuem a viver «em aperto financeiro quotidiano».
Na tribuna realizada em Lisboa, a dirigente rejeitou a substituição desse aumento por suplementos extraordinários dependentes de eventual «folga orçamental», afirmando que medidas pontuais «não resolvem os problemas estruturais» nem ficam integradas no valor das pensões.
Isabel Gomes criticou ainda os benefícios concedidos aos sistemas privados de pensões e as isenções contributivas para a Segurança Social, acusando o Governo de favorecer os grandes grupos económicos e financeiros.
Na área da saúde, reafirmou a defesa da gratuitidade dos medicamentos e do reforço do SNS, alertando para o aumento da dependência do sector privado. «O público é de todos, o privado é só de alguns», afirmou.
A dirigente destacou também a necessidade de garantir transportes públicos gratuitos para os maiores de 65 anos, reforçar o apoio domiciliário e os centros de dia e criar uma rede pública de lares que assegure respostas dignas para os idosos.
Isabel Gomes alertou igualmente para as dificuldades enfrentadas por muitas associações de reformados devido ao aumento dos custos de funcionamento, defendendo mais apoio público ao movimento associativo.
Travar o brutal custo de vida
Em Lisboa, a tribuna contou com a participação de uma delegação do PCP, encabeçada por Fernanda Mateus, da Comissão Política do Comité Central, e do deputado Alfredo Maia.
Recentemente, o Partido entregou na Assembleia da República uma proposta de lei para avançar com um aumento intercalar de 50 euros em todas as reformas e pensões, a partir do mês de Julho de 2026. Os comunistas recusam a política de "esmolas" do Governo e exigem soluções definitivas.
Esta iniciativa surge num momento em que os aumentos automáticos por lei para 2026 se fixaram entre os 2,02% e os 2,8%, valores que o PCP classifica como manifestamente insuficientes perante a inflação real.