- Nº 2739 (2026/05/28)

1996 – para os EUA, a morte de meio milhão de crianças «valeu a pena»

Memória

Lusa

Em 1996, em entrevista ao programa 60 minutos, da cadeia norte-americana CBS, a então embaixadora norte-americana nas Nações Unidas, Madeleine Albright (1937-2022), foi questionada pela jornalista Lesley Stahl acerca do impacto catastrófico que as sanções impostas pelos EUA ao Iraque tinham na população civil, particularmente nas crianças: «Ouvimos dizer que meio milhão de crianças [iraquianas] morreram, são mais crianças do que as que morreram em Hiroxima (…). O preço vale a pena?», perguntou a jornalista. «Acreditamos que sim, valeu a pena», respondeu Albright, que seria pouco depois nomeada Secretária de Estado por Bill Clinton, tendo desempenhado um papel destacado na agressão da NATO à Jugoslávia em 1999.

Foi a revista The Lancet que, em 1995, contabilizou meio milhão de crianças mortas por doença ou subnutrição no Iraque, em resultado das sanções impostas unilateralmente pelos EUA em 1991. Segundo a UNICEF, até 1990 a população iraquiana era das mais saudáveis do mundo, com uma mortalidade infantil baixíssima e níveis de ensino particularmente elevados. Com a primeira Guerra do Golfo, e o bombardeamento de estruturas civis iraquianas, todos estes índices foram invertidos. Com a invasão de 2003, foi todo um país que foi destruído: centenas de milhares de mortos, infra-estruturas arrasadas, conflitos sectários.

Foi isto que valeu a pena?