- Nº 2739 (2026/05/28)

PCP solidariza-se com trabalhadores da Hanon

PCP

O Secretário-Geral do PCP esteve esta sexta-feira junto da Hanon Systems, em solidariedade com os trabalhadores, numa iniciativa marcada pela denúncia da precariedade, dos baixos salários e das alterações à legislação laboral propostas pelo Governo.

Durante a iniciativa, Paulo Raimundo destacou o papel estratégico da empresa e o valor do trabalho ali desenvolvido, sublinhando que «sem o esforço destes operários não há carros a funcionar, em particular os eléctricos». O dirigente comunista lembrou que a fábrica funciona em laboração contínua de seis dias por semana e prepara-se para avançar para sete dias, com produção permanente «24 sobre 24».

«Esta gente merece respeito, dignidade, direitos e melhores salários», afirmou, apontando como reivindicações centrais o aumento dos salários, o respeito pelas categorias profissionais e o combate à precariedade.

Paulo Raimundo criticou ainda o chamado pacote laboral do Governo, considerando que medidas como o aumento da precariedade, o alargamento do banco de horas individual e a facilitação dos despedimentos servem os interesses patronais. Referindo-se às propostas do Executivo, afirmou que «aquilo que o Governo quer aplicar é um sonho para uma empresa destas», defendendo que os trabalhadores «não merecem ser tratados como peças descartáveis». Considerou também que a precariedade afecta não apenas a vida dos trabalhadores, mas igualmente a produção da empresa.

A acção contou ainda com a participação de João Frazão, da Comissão Política, e de outros dirigentes do Partido e sindicais, e foi distribuído o documento: «Combater o custo de vida. Aumentar salários e pensões».

«As máquinas não trabalham sozinhas»

Filipe Almeida, delegado sindical do Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas, explicou que os trabalhadores continuam em greve e que houve nova reunião com a administração.

Segundo o dirigente sindical, a empresa apresentou uma melhoria da proposta salarial, depois de os trabalhadores reivindicarem um aumento de 45 euros, mantendo-se, contudo, outras matérias em discussão, nomeadamente progressões e condições de trabalho. Um plenário deverá decidir a continuidade ou não das greves.

A Hanon emprega cerca de 650 trabalhadores. Nas últimas greves participaram cerca de 150 trabalhadores, sobretudo técnicos especializados. «As máquinas não trabalham sozinhas», afirmou Filipe Almeida, explicando que a adesão foi suficiente para afectar a produção e levar a administração à mesa das negociações.

O delegado sindical denunciou também o elevado recurso ao trabalho temporário e aos contratos precários. «Há muita gente com contratos precários de quatro anos e ordenados muito baixos», afirmou. Alertou ainda para a perda de experiência e conhecimento técnico devido à saída de trabalhadores mais antigos sem adequada transmissão de saberes.

Segundo explicou, existem trabalhadores com dez anos de experiência que continuam estagnados em categorias e salários baixos, havendo diferenças salariais significativas entre trabalhadores que desempenham funções semelhantes.

Questionado sobre a greve geral de 3 de Junho, Filipe Almeida considerou existir uma crescente disponibilidade dos trabalhadores para aderirem à paralisação, defendendo que muitos começam agora a tomar consciência das consequências das alterações laborais propostas pelo Governo.