Greve geral dá força imensa para derrotar o pacote laboral

A greve geral de 3 de Junho foi «uma grande jornada de luta» e reflectiu «com clareza o sentimento dos trabalhadores», comprovando «uma compreensão e rejeição crescentes do pacote laboral de assalto aos direitos», disse o Secretário-Geral da CGTP-IN, ao apresentar um balanço. Aos jornalistas, Tiago Oliveira reafirmou que «todas as formas de luta estão em cima da mesa» e «serão os trabalhadores a decidir o desfecho» do processo desencadeado pelo Governo a 24 de Julho de 2025.

O desfecho será decidido pelos trabalhadores, unidos e organizados

No final da manifestação, que levou milhares de pessoas, de tarde, do Rossio até junto da Assembleia da República, foi aprovada uma resolução, na qual se afirma que «esta força imensa, demonstrada hoje por quem trabalha, será o motor para a continuação da luta que será necessário travar, com confiança e de olhos postos num futuro de progresso e justiça social».

Minutos antes, Tiago Oliveira havia criticado o anúncio do Governo, de agendamento da discussão do pacote laboral, no Parlamento, para o próximo dia 18, «atropelando todos os prazos». «Aqui afirmamos, desde já, que cá estaremos, quando da sua discussão e quando da sua votação, para afirmar os direitos, para alcançar uma vida melhor, para derrotar o pacote do patrão».

Um coro de vozes que não mostravam laivos da noite em branco, passada em piquetes de greve, ao frio, nem das palavras de ordem entoadas, sob sol intenso, nas ruas de Lisboa, repetiu prontamente «A luta continua!».

A greve geral ganhou expressão de rua, em quase três dezenas de localidades de todos os distritos e regiões autónomas.

Desde as primeiras horas, ainda ao final da tarde de dia 2 (devido ao início de turnos que iriam terminar já durante a greve), as organizações sindicais começaram a divulgar dados sobre níveis de adesão e efeitos na laboração. Em vários casos, incluindo a própria CGTP-IN, foram elaboradas e distribuídas listagens de empresas e serviços. Tiago Oliveira e outros dirigentes estiveram com diversos piquetes, em empresas dos distritos de Lisboa e Setúbal.

No site do PCP e espaços do Partido nas redes sociais, foi mantida uma emissão em directo, com depoimentos, entrevistas e informações recebidas de inúmeros locais de trabalho. A gravação dos três blocos de transmissões, com início às 21h30, às 6h30 e às 14h00, num total de cerca de 12 horas, pode ser vista no YouTube.

Nesta edição, destacamos diversas situações, do muito que se foi sabendo durante a noite e madrugada.

 

Um sinal claro

Na conferência de imprensa, às 13 horas, a CGTP-IN considerou que a greve geral «traduz um sinal claro para a derrota do pacote laboral, que se expressou em grandes adesões em todos os sectores». Tiago Oliveira deu alguns exemplos, fazendo questão de abranger diferentes sectores e regiões.

No sector privado, começou por referir empresas industriais, onde a adesão foi total: DS Smith (Leiria), Saica Pack, Schnellecke, Sovena, Ciarga e Cimpor, Bimbo, Cerealto. E ainda EXIDE (98 por cento), Bosch (95 por cento) e Gallo Vidro (88 por cento), e nos têxteis (99 por cento na Mabera e 95 por cento na Tearfil).

A elevada adesão levou ainda a que a produção parasse, por exemplo, nas empresas GLN Solutions (Leiria), Teijin, SMP e Faurecia (em Palmela), AAPICO e Ficocables (na Maia), Groz-Beckert (Vila Nova de Gaia), Orica (Aljustrel), Mecachrome (Évora), Hutchinson (Campo Maior e Valongo), Knorr (Lisboa) e Funfrap (Aveiro).

Na hospitalização privada, houve «impactos significativos» nos hospitais Lusíadas (Amadora e Lisboa), CUF (Sintra) e Luz (Lisboa).

Nos transportes, a CGTP-IN destacou que houve cem por cento de adesão no Metro de Lisboa, na Transdev (Viseu), na Empresa de Transportes Urbanos da Guarda, nos Transportes Urbanos da Covilhã. Tiago Oliveira citou também as oficinas da Carris, com 98 por cento, a Transtejo Soflusa, com 85 por cento, a CP e a IP, onde apenas funcionaram serviços mínimos, e «um forte impacto no sector aéreo».

Registou ainda «um número significativo de encerramentos de serviços em autarquias, com recolha de resíduos encerrados ou a cem por cento, um número elevado de escolas encerradas, e hospitais e ULS, na generalidade, em serviços mínimos».

Em respostas aos jornalistas, o Secretário-Geral da CGTP-IN precisou que «estamos perante uma greve geral com uma dimensão muito idêntica à de 11 de Dezembro, senão com adesões superiores, com perspectiva de crescimento».

 

Todas as formas de luta

Questionado, na conferência de imprensa, sobre a continuação da luta, nos próximos tempos, Tiago Oliveira reafirmou que «todas as formas de luta estão em cima da mesa», lembrando que, «nestes 10 meses, a CGTP-IN empenhou-se em dar voz aos trabalhadores, esclarecer e mobilizar para a luta» e insistindo que «serão os trabalhadores a decidir o desfecho deste pacote laboral».

Ao intervir frente ao Parlamento, disse ainda que «a greve de hoje não é o fim de nada, é uma etapa, uma demonstração de força, uma afirmação colectiva, um aviso claro de que os trabalhadores não aceitarão passivamente o desmantelamento dos seus direitos».

Na resolução – aprovada em Lisboa e demais localidades com manifestações, concentrações e praças de greve – ficou firmado pelos trabalhadores presentes «o compromisso de continuar a luta, contra o retrocesso e a exploração, pela derrota do pacote laboral de assalto aos direitos, por mais salário e mais direitos, desde já, com o desenvolvimento da luta reivindicativa nos sectores, empresas e locais de trabalho», acrescendo o que acabara de ser apresentado por Tiago Oliveira, para dia 18.



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