- Nº 2740 (2026/06/5)
Pode-se dizer, sem errar, que a greve geral teve um enorme impacto na Administração Pública. «Confirmam-se as melhores perspectivas que tínhamos», assinalou Sebastião Santana, da Frente Comum. A Federação da Função Pública confirmou que esta foi «uma das maiores greves dos últimos anos, com adesão superior a 90 por cento» nos principais sectores. Caso de serviços da Segurança Social como o ISS em Évora, do IMT, do IRN nas Laranjeiras, do Mosteiro dos Jerónimos ou do Tribunal de Arraiolos.
Fora os mínimos, saúde parou
«Esta reforma laboral não tem uma única solução para o SNS, e é por isso que os médicos aqui estão a fazer greve», afirmou André Gomes, da FNAM, no piquete do Hospital Santa Maria. Pouco depois, José Carlos Martins, do SEP, confirmava já uma «fortíssima participação dos enfermeiros». Na verdade, por todo o País, ou os serviços fecharam (caso do Hospital de Santa Luzia) ou funcionaram só com serviços mínimos (caso do Hospital do Funchal).
A adesão já se antevia no dia anterior, com uma forte paralisação nos turnos da noite – caso do Hospital São José. Francisca Silva, do SMZS, interna, relatou que parte da luta dos médicos se prende com a normalização de uma realidade já hoje vivida: «horas extra que não são pagas em conformidade». A par, claro, dos ataques à contratação colectiva ou dos direitos de maternidade.
Escolas fechadas em todo o País
Ao nascer do sol, uma certeza: a Escola Básica Nuno Gonçalves, Lisboa, fechara. No piquete, o Avante! falou com José Feliciano Costa, da FENPROF. «Muitas escolas fechadas, algumas com adesão total» dos seus trabalhadores, relatou.
O dirigente vincou que os professores não aceitam nem este «pacote laboral agressivo», nem uma revisão injusta no estatuto da carreira, recusando que as escolas estejam «pacificadas», como tem afirmado o ministro.
A FENPROF critica o agendamento das provas ModA para dia 3, com práticas abusivas para minimizar o efeito da greve. Uma professora de Lisboa chegou a confidenciar que se trata de um «boicote do Governo».
Sinal da precariedade nas faculdade
Forte adesão, também, no ensino superior. Na FCSH, Raquel Ribeiro, do SPGL, relatou que o piquete esteve presente desde as 7h30 e que, desde que a faculdade abriu, às 8h00, verificou-se «uma grande adesão».
A dirigente realçou a precariedade prevalecente naquele grau de ensino e na faculdade em particular, com trabalhadores “divididos” entre o regime de emprego na Função Pública e o regime de direito privado (a universidade tem natureza fundacional, ou seja, de direito privado).
Os bolseiros são outro grande alvo de ataques: «São trabalhadores que não têm direito a ser trabalhadores».
Houve grande adesão noutros piquetes do SPGL, nomeadamente na FCUL e no ISEL e na concentração à frente do CES, em Coimbra.
Há mais de 10 anos na cultura
Muitos estabelecimentos públicos da área da cultura também se envolveram na greve.
À porta do Teatro D. Maria II, Lisboa, falámos com alguns dos participantes no piquete. Ana Gusmão, dirigente do CENA-STE, por exemplo, lembrou algumas das lutas dos trabalhadores do estabelecimento, designadamente a tentativa de consagrar um instrumento colectivo de regulação do seu trabalho «há mais de uma década».