- Nº 2740 (2026/06/5)

Forte adesão na Administração Local

Em Foco

A greve geral convocada contra o pacote laboral do Governo registou, desde as primeiras horas, uma forte adesão dos trabalhadores da Administração Local, confirmando as previsões avançadas pelo STAL. Os primeiros dados apontaram para níveis muito elevados de participação, sobretudo nos serviços de higiene urbana e recolha de resíduos. A recolha nocturna ficou totalmente paralisada em concelhos como Évora, Almada, Palmela, Seixal, Setúbal e Loures, com adesões entre os 95 e os 100 por cento. Em Bragança, os transportes municipais encerraram com adesão total dos trabalhadores.

Ao longo da madrugada e da manhã, a paralisação alargou-se a dezenas de autarquias, empresas municipais e serviços municipalizados. Registaram-se adesões de 100 por cento em vários sectores da recolha de resíduos urbanos, nomeadamente em Almada, Palmela, Santiago do Cacém, Sesimbra, Alcácer do Sal, Évora, Silves, Aveiro e Coimbra. A greve afectou ainda escolas, estaleiros, oficinas, serviços de águas e saneamento, espaços verdes, piscinas e atendimento ao público. Verificaram-se grandes adesões noutros concelhos, levando à paralisação total em vários deles.

Destacaram-se igualmente os 100 por cento de adesão na AMARSUL, no Seixal, os 94 por cento registados nos Transportes Urbanos de Braga e os 85 por cento nos transportes municipalizados de Coimbra.

A paralisação foi convocada em protesto contra as alterações à legislação laboral propostas pelo Governo. Entre as reivindicações estiveram também a valorização das carreiras, a regulamentação das profissões de desgaste rápido, a defesa do suplemento de penosidade e insalubridade e a reposição do direito à indemnização por acidente de trabalho ou doença profissional.

No Seixal, o Secretário-Geral do PCP, Paulo Raimundo, participou num piquete de greve nos Serviços Operacionais da Câmara Municipal de Seixal, onde a adesão atingiu os 100 por cento.

Também João Paulo, dirigente do STAL, considerou que «cada medida deste pacote laboral representa uma facada nos direitos dos trabalhadores conquistados ao longo de décadas de luta», acusando o Governo de responder aos interesses patronais e alertando que os trabalhadores «não vão permanecer resignados» perante o agravamento das condições laborais.

Na sua primeira acção, o Secretário-Geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira, esteve junto do piquete de greve dos trabalhadores do Polo dos Olivais da Higiene Urbana da Câmara Municipal de Lisboa.