Israel continua o genocídio e amplia a ocupação na Faixa de Gaza
Continua na Faixa de Gaza a guerra genocida, os assassinatos e a destruição perpetradas por Israel contra o povo palestiniano. Em pouco mais de 230 dias, desde que foi assinado o cessar-fogo, as forças militares israelitas violaram-no mais de 3000 vezes.
Desde Outubro de 2025, Israel só permitiu que entrassem na Faixa de Gaza 49.973 camiões de ajuda humanitária, 37% do que foi acordado no cessar-fogo
Só desde o anúncio do cessar-fogo na Faixa de Gaza, em Outubro de 2025, mais de mil pessoas, muitas das quais crianças, foram mortas e milhares de outras ficaram feridas em consequência dos bombardeamentos e ataques de Israel contra a população palestiniana, infra-estruturas e abrigos, afirmou em comunicado o Ministério dos Assuntos Exteriores e Expatriados palestiniano. A entidade palestiniana acusou ainda as forças militares israelitas de cometerem crimes de guerra e advertiu para a degradação da catástrofe humanitária no território, decorrentes dos encerramentos parciais das passagens fronteiriças e das restrições à entrada de produtos vitais, como alimentos, medicamentos e combustível. A continuação desta situação ameaça degradar ainda mais a já muito grave situação alimentar, como alertam relatórios de organismos das Nações Unidas especializados em segurança alimentar.
O ministério palestiniano renovou o seu apelo às instituições internacionais e aos países garantes do cessar-fogo para que sejam adoptadas medidas imediatas visando forçar Israel «a cessar os seus crimes contra a população civil palestiniana, garantir o pleno cumprimento dos termos do acordo e as resoluções da ONU e assegurar a entrada de ajuda humanitária».
Repudiou igualmente os planos anunciados pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que na semana passada ordenou ao exército israelita a ampliação da ilegal ocupação da Faixa de Gaza de 60 para 70% do território. Esta intenção representa uma «grave violação dos fundamentos do cessar-fogo e mina os esforços globais destinados a pôr fim à agressão, a prevenir a deslocação forçada [da população palestiniana] e a impulsionar um horizonte político que viabilize o Estado da Palestina e consiga o nosso direito à autodeterminação», acrescenta o organismo governamental palestiniano.
Mais de três mil violações
As forças militares israelitas cometeram mais de três mil violações do acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza desde a sua implementação, há cerca de 230 dias – cerca de 13 violações por dia –, incluindo bombardeamentos e ataques contra a população e repetidas incursões em áreas residenciais, acusa um relatório do gabinete de imprensa do governo palestiniano naquele território palestiniano.
Como resultado destas violações, 910 palestinianos foram assassinados e outros 2747 feridos, muitos dos quais crianças, com diferentes níveis de gravidade, aos quais se somam 82 palestinianos detidos e sequestrados pelas forças israelitas ocupantes, que continuam a controlar militarmente quase 60% do território.
O relatório destaca ainda as severas limitações impostas por Israel à ajuda humanitária e ao movimento de pessoas para e desde a Faixa de Gaza, contabilizando apenas 49.973 camiões de ajuda, de um total de 135.600 previstos no acordo de cessar-fogo – uma taxa de cumprimento de apenas 37%. Quanto à mobilidade, apenas 5636 pessoas puderam sair do território, de um total programado de 17 mil saídas, o equivalente a 34% do previsto, o que confirma que persiste a ilegal política de restrições e obstruções do movimento dos habitantes da Faixa de Gaza por parte de Israel.
A magnitude da acção militar persistente e o acesso humanitário limitado evidencia que o cessar-fogo não foi implementado por Israel.
Fontes palestinianas e internacionais advertiram já que as contínuas violações, somadas à restrição dos fluxos de ajuda e à limitação dos movimentos de pessoas continuam a agravar a situação humanitária no território, mesmo depois da entrada em vigor do acordo.
… e agrava agressão ao Líbano
No prosseguimento da brutal invasão e agressão ao Líbano, o exército israelita procura ampliar significativamente a sua ilegal ocupação de território libanês, ambição que se enquadra no plano sionista expansionista de criação do “Grande Israel”. As forças israelitas agressoras cruzaram o rio Litani e apoderaram-se das colinas de Qalaat al-Shaqif, uma posição considerada de importância estratégica para o seu domínio sobre amplas áreas do sul do Líbano e pela sua proximidade à cidade libanesa de Nabatieh que, entretanto, foi cercada.
A captura do Castelo Qalaat al-Shaqif constituirá uma das incursões israelitas mais profundas em território libanês desde a retirada das suas tropas do sul do Líbano, em 2000. Estes acontecimentos ocorrem no contexto do agravamento da agressão militar israelita contra o Líbano, apesar do acordo de cessar-fogo vigente desde Abril.
De acordo com dados oficiais libaneses, a recente agressão de Israel, iniciada a 2 de Março, assassinou cerca de 3400 libaneses e feriu 10000, para além de ter provocado a deslocação forçada de mais de um milhão de libaneses das suas casas e terras.
Ataque à vida e à cultura
O ministro da Cultura do Líbano, Ghassan Salameh, denunciou em Beirute que o exército israelita atacou de maneira deliberada o histórico Castelo Qalaat al-Shaqif antes de ocupar a fortaleza durante o seu avanço militar no sul do Líbano. Denunciou também que as operações militares israelitas provocaram igualmente danos em mercados históricos, bibliotecas públicas e numerosos sítios arqueológicos nas regiões de Bint Jbeil, Nabatieh e outras localidades no sul libanês, e atingiram diversos sítios arqueológicos da cidade de Tiro, declarada património mundial pela UNESCO.




