Ritmo e caminho da direita

Carlos Gonçalves

Foram este sábado as “primárias” do quadragésimo terceiro Congresso do PSD, num calendário acelerado três meses por L. Montenegro (LM) para, como ele disse, «não perturbar o andamento da estratégia» com «dúvidas», sobre a liderança (claro), ou sobre a agenda eleitoral para a “maioria”. Fez-se a eleição interna, relativamente a 2024 LM obteve menos cerca de 2000 votos (14467) e menos percentagem (agora cerca de 25% dos eleitores do Partido). Estes são os números que importam e não a percentagem como candidato único.

O nome da Moção de LM ao Congresso – “Trabalhar, Fazer Portugal Maior” – é uma fusão do “deixem-me trabalhar” de Cavaco e do “MAGA” (fazer a América grande de novo) de Trump(!), é o “mainstream” “vendido ao aplauso”, como dizia P. Passos Coelho (PPC). A Moção preconiza: «potenciar, desbloquear, transformar, preparar e ampliar Portugal», agudizar a ruptura com Abril em todas as matérias, no caminho reaccionário que PSD, CDS, CH e IL têm seguido, cada um com os seus enfoques, mas em que todos propõem aumentar (mesmo que o não digam) o “ritmo” da ofensiva de direita e o conflito com Abril.

O (PPD/)PSD foi sempre o partido dos “barões”, traições e “vendetas” – o “grande líder” Cavaco quase o liquidou para vir a ser eleito PR. As guerras intestinas são muito duras, agora com PPC a acusar LM de «postiço sem integridade» e «prostituto sem carácter e sem reduto de pensamento» e LM a afastar de facto PPC da intervenção no partido. Mas resta-lhes sempre a política de direita para concretizar e “aumentar o ritmo”, cada vez pior. É nesse ponto que estão unidos e agora competem no PSD, numa feira de vaidades e interesses, tal como esbracejam CH, IL e CDS, mas sempre todos juntos no (para eles) mais essencial: levar mais longe a destruição de Abril.

Unidos para se “ofenderem” muito(!), com tantos gritos e espectáculo quanto seja necessário para que não se mobilize, não se veja, nem oiça a greve geral contra o pacote laboral e a luta dos trabalhadores e do povo. Porque é na greve geral e nesta luta que reside a coragem, a verdade, a força, determinação e confiança para interromper o ritmo e o caminho da política de direita, para impor a barões, postiços e forças sociais e políticas que a servem uma grande vitória do Portugal de Abril.



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