No Avanteatro, o melhor do teatro que se faz em Portugal

Ao palco do Avanteatro sobe todos os anos o que de melhor se faz em Portugal ao nível do teatro e das artes de palco: escolas diferentes, companhias consagradas ou ainda a começar, adaptações ou textos originais – sempre, mas sempre, com muita qualidade e cumprindo a tão histórica quanto nobre função do teatro de questionar o mundo em que vivemos.

Diversidade estética e forte compromisso com a qualidade

Os cinco espectáculos que compõem o programa (ver informações nestas páginas) são todos muito diferentes entre si: temos uma reflexão original sobre o nosso tempo, uma peça marcante do teatro político revolucionário do século XX, a recuperação de um património cultural de raiz popular, um teatro de rua com forte componente visual e um espectáculo para a infância, destinado a fascinar – e a fazer pensar, e sonhar – os mais pequenos. Só esta amostra revela a diversidade que uma vez mais passará pelo palco do Avanteatro a 4, 5 e 6 de Setembro.

Mas se é muito o que diferencia os projectos, não é menos o que une: o compromisso com a qualidade dos textos, das interpretações e dos aspectos técnicos, a atenção ao mundo que nos rodeia e a interpelação à reflexão do espectador – independentemente das suas experiências, origens e idades – sobre saídas e alternativas. O teatro sempre foi isto e continua a ser nestes tempos exigentes em que nos cabe viver. E a Festa do Avante!, através do Avanteatro, espelha-o como poucos eventos realizados no País.

 

Companhia de Dança do Seixal

Sexta-feira: O fim do Mundo…Ou então não

Sexta-feira é o último dos dias úteis do ciclo Sete Anos, Sete Peças, concebido pela bailarina e coreógrafa Cláudia Dias. Na página do projecto na Internet (seteanos.pt/sete-anos-sete-pecas/), levanta-se um pouco o véu: «Imaginar os dias de descanso tornou-se um luxo. O valor do trabalho evapora-se com o ar de fim dos tempos que assombra o mundo. A ideia de fim do mundo ameaça paralisar a acção e o pensamento. Pior ainda, a ideia de fim da história faz acelerar a corrida para decidir quem será a última pessoa, quem entra e quem fica de fora da barca da história. Mas a história ainda se move, o tempo ainda avança, inexorável.»

Direcção artística: Cláudia Dias

Interpretação: Cláudia Dias, Vasco Vaz e Miguel Pedro

Texto: Cláudia Dias com Jorge Louraço Figueira

Música: Vasco Vaz e Miguel Pedro

Desenhos digitais: António Jorge Gonçalves

Direcção técnica: Nuno Borda de Água

Direcção de produção: Lina Duarte

Produção: SETE ANOS

 

Urze Teatro

A Mãe (Die Mutter)

Sobre esta peça, escreveu a companhia de Vila Real tratar-se «uma das obras mais emblemáticas do vasto repertório» do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, estreada em Berlim em 1933 e adaptada do romance homónimo de Máximo Gorki: «Através da figura de Pelágia Vlassova – a mãe –, uma mulher humilde, preocupada com a sopa que poderá garantir ao seu filho, e que desperta para a consciência das injustiças sociais, Brecht constrói uma narrativa de aprendizagem e emancipação, onde a transformação individual se converte em metáfora da luta colectiva pela libertação dos povos».

Texto original: Bertolt Brecht

Interpretação: Glória de Sousa, Mafalda Canhola, Isabel Feliciano, Diogo Campos, Nuno Geraldo, Valdemar Santos, Fábio Timor e José d’Almeida

Adaptação dramatúrgica: Vítor Nogueira

Encenação e espaço cénico: Fábio Timor

Composição e edição musical: Paulo Araújo e Manuel Guimarães

 

CENDREV – Centro Dramático de Évora

Bonecos de Santo Aleixo: Auto da Criação do Mundo

Os Bonecos de Santo Aleixo, que já deram o mote a uma exposição na Festa do Avante! em 2018, voltam este ano, agora ao palco do Avanteatro. Foi em 1981 que o CENDREV iniciou o processo que levou à recuperação deste exemplar de teatro popular de bonecos do Alentejo, num processo conduzido pelo Mestre António Talhinhas que com eles trabalhou mais de 40 anos. Do trabalho desenvolvido então no Teatro Garcia de Resende com os bonecos, resultou naturalmente a constituição de uma “nova família” para assegurar a continuidade do trabalho que outras gerações de titeriteiros garantiram ao longo dos tempos. Auto da Criação do Mundo é um dos espectáculos que resultou deste importante trabalho.

Autoria: Tradição popular

Encenação: BSA

Actores / manipuladores: Ana Meira, David Russo, Maria Marrafa, José Russo, Vitor Zambujo.

Acompanhamento musical: David Russo

 

Teatro O Bando

1001 Noites – Irmã Santomense

«Um Demónio que quer conhecer a voz dos Anjos, um Barbeiro que fala mais do que corta cabelo, um Jovem apaixonado que diz ter uma aversão pelas mulheres, um Pobre cheio de fome que come comida invisível, um Alfaiate que trabalha por amor até à exaustão e à humilhação, enfim, muitas são as personagens que Xerazade evoca para tentar apaziguar o coração de Xariar»: é esta a apresentação que o Teatro o Bando faz desta sua criação original, um teatro ao ar livre apresentado já em alguns pontos do País.

Criação: Teatro O Bando

Em parceria com: Ilhéu Portátil

Texto a partir da tradução de Hugo Maia de As Mil e Uma Noites

Dramaturgia e encenação: Miguel Jesus

Com Adozia Cristo, Diogo Rocha, Fabian Bravo, Mick Trovoada, Nicolas

Brites e Rita Brito

 

Teatro Extremo

Volta ao Mundo em 80 Caixas

(teatro para a infância a partir de A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Júlio Verne)

«Júlio Verne ofereceu-nos uma viagem de aventuras em “A Volta ao Mundo em 80 Dias”. O seu romance desperta em nós a ilusão de conhecer o distante e o desconhecido. Ele propõe-nos uma viagem imaginária pelo mundo. Tomando esta referência literária, perguntamo-nos como transportar para o teatro este espírito de viajar através da imaginação, cheio de surpresas e agradáveis sugestões. Assim surge “Volta ao Mundo em 80 Caixas”.» Assim começa a apresentação do espectáculo pelo próprio Teatro Extremo, onde promete uma viagem de «pura fascinação».

Guião: Markeliñe

Encenação: Markeliñe (Joserra Martínez)

Interpretação: Bibi Gomes, Fernando Jorge Lopes e Victor Caetano

Direcção técnica: Celestino Verdades

Direcção de produção: Sofia Oliveira

Coprodução: Teatro Extremo e Markeliñe