- Nº 2741 (2026/06/11)

Voz da greve geral levada ao hemiciclo

Assembleia da República

Numa declaração política em nome do PCP, no dia 3, Paula Santos saudou o «enorme exemplo de coragem e dignidade» dos trabalhadores na greve geral que decorreu nessa data.


«Daqui saudamos os trabalhadores em luta pelos seus direitos, por condições de trabalho, por uma vida digna. Saudamos as organizações sindicais e outras organizações de trabalhadores que tomaram posição perante a declaração de guerra aos trabalhadores que é este pacote laboral», sublinhou.

Na tribuna do Parlamento, a deputada comunista realçou a massiva adesão dos trabalhadores do privado, em empresas como a Groz Beckert, a Faurécia, a Amarsul ou a Alsa Todi. Mas, também, do público e das empresas do Estado, da Transtejo às escolas e hospitais.

Os factos impõem-se às narrativas

«Querem maior expressão do que esta? Fábricas paradas e produção condicionada, transportes que não circulam, serviços públicos encerrados. Praças de greve, desfiles e acções de rua em diversas localidades», frisou.

Paula Santos clarificou que «este é o impacto da greve geral». A expressão da luta dos trabalhadores, assinalou, contraria a «narrativa do costume» expressa pelo Governo no final desse dia, pela voz do primeiro-ministro. Luís Montenegro, numa conferência de imprensa após uma reunião do conselho de ministros, desvalorizou a greve geral, alegando que uma suposta «esmagadora maioria dos portugueses quis trabalhar».

«Um governo que continua a enfiar a cabeça na areia e que se recusa a ver o que está diante dos olhos de todos – o pacote laboral está rejeitado. Os trabalhadores rejeitam o pacote laboral. Os jovens rejeitam. O País rejeita», sublinhou a líder parlamentar.

Governo pretende condicionar a discussão

A deputada também comentou o agendamento da proposta de lei do pacote laboral no Parlamento, realizada pelo Governo naquele dia, 3.

No entender de Paula Santos, agendar a iniciativa para dia 18, quando o período de consulta pública obrigatória decorre até 2 de Julho, «só pode ser entendido como mais um condicionamento numa discussão em que o Governo está claramente em perda».

A líder parlamentar vincou que reflexo disso é o «cinismo» demonstrado pelo Executivo quando se dirige aos trabalhadores, «porque não foram na sua ladainha».

«Talvez até desorientação e muita, mas muita irritação porque os trabalhadores não abdicam dos seus direitos, porque se opõem às suas pretensões», garantiu.