- Nº 2741 (2026/06/11)

Na JCP todos são bem-vindos na construção do Mundo Novo

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Ao longo do último mês, a Juventude Comunista Portuguesa realizou Encontros Regionais em Coimbra (9 de Maio), Aveiro (16 de Maio), Braga, Castelo Branco, Leiria, Porto e Setúbal (23 de Maio), Lisboa (30 de Maio) e Algarve (31 de Maio). Na sequência do extraordinário êxito do seu 13.º Congresso, realizado em Novembro de 2025, os jovens comunistas realizaram nove Encontros Regionais que juntaram mais de 500 jovens.

«O objectivo de estruturação das organizações regionais, articulado com as linhas traçadas ao nível da criação de colectivos de base, deve orientar-se por uma actividade regular das Organizações Regionais, com a convocação de Encontros Regionais, a eleição das Comissões Regionais e, onde tal se coloque, dos seus organismos executivos». Assim estava colocado na Resolução Política aprovada por unanimidade no Congresso. Pondo em prática os objectivos aí traçados, os nove Encontros Regionais aprovaram importantes resoluções para o reforço da intervenção da JCP nestas regiões e elegeram oito Comissões Regionais – quatro das quais não existiam antes do início do processo de preparação do 13.º Congresso.

Uma Organização ligada aos problemas e sonhos da juventude

Não é um facto de menor importância que mais de 250 jovens tenham tomado a palavra nos Encontros Regionais da JCP, entre os quais vários amigos da organização. O debate neles travado não foi apenas expressão da vitalidade da democracia na organização e da profunda ligação dos jovens comunistas aos problemas e sonhos da juventude: foi também prova evidente de que nenhum jovem precisa que falem por ele. Na vida da JCP todos são bem-vindos a dar o seu contributo para a construção colectiva do Mundo Novo.

Seria impossível reproduzir os conteúdos das mais de duas centenas de intervenções, mas algumas delas ajudam a perceber como realidades muito distintas se unem em torno da indignação contra as injustiças. Foi o caso de Diana Sousa, estudante da Escola Secundária de Oliveira do Hospital, que no ER de Coimbra, expondo o frio a que são sujeitos os estudantes da sua escola por falta de aquecimento e a necessidade de muitos deles, vindos de diferentes aldeias, acordarem pelas 6h00 da manhã para depois terem de voltar tarde a casa, perguntava: «será justo sermos confrontados com este ciclo de desgaste que nos tira o tempo para ser jovem?». A resposta foi dada pela própria: «claro que não, não podemos aceitar isto!»

Testemunho muito concreto mas que não está desligado do de Gil Rodrigues, trabalhador-estudante, que no ER de Setúbal denunciou a situação dos transportes na região que o obrigam a mudar de transporte três vezes sempre que precisa de se «deslocar da universidade para o trabalho, ambos em Almada, num percurso que de carro duraria 15 minutos», do de Mariana Machado, estudante da Escola Secundária de Canelas, em Vila Nova de Gaia, que falou sobre a falta de condições e funcionários na sua escola e sobre os atrasos constantes e os autocarros da UNIR cheios, ou do de Rodrigo Castilho, estudante da Escola Secundária da Amadora, que relatou a chuva no ginásio, as salas com mofo e a falta de pontos de fornecimento de águas e casas de banho com condições.

Problemas também abordados por Gabriela Fernandes, estudante do Ensino Secundário do Algarve, que denunciou o encerramento das piscinas municipais de Faro, apontando a contradição dos «milhões para promover eventos turísticos» enquanto «faltam pavilhões, campos, piscinas e condições para os jovens praticarem desporto regularmente» na região, ou por Aureliano Oliveira que no ER do Porto relatou as consequências de quatro anos de teletrabalho, ao início «bastante aliciante», mas que rapidamente trouxe «a transferência de custos de instalações, acomodação, Internet e eletricidade, a invasão de privacidade e da intimidade e o que, com o passar do tempo, acabou por ser o que mais me afectou – a dificuldade em diferenciar o meu espaço pessoal e profissional».

«Na escola João da Silva Correia, onde estudo, a direcção da escola tentou limitar o direito a candidatar-me a Presidente da Direcção da Associação de Estudantes, sob a desculpa de que, em função de ter uma participação disciplinar no historial, o Regulamento Interno não o permitia», mas «esta tentativa de condicionamento foi contrariada pela unidade dos estudantes», lembrou em Aveiro Dinis Silva. Unidade contra as injustiças que foi também o passo sugerido por Mushfique Ahmed, estudante da Escola Secundária Tomás Cabreira, em Faro, que apontando a necessidade de melhorar os apoios aos estudantes imigrantes para a adaptação ao novo ambiente educacional, nomeadamente ao nível da oferta de Português Língua Não Materna, disse que «quando os estudantes estão unidos na luta, levantam a voz e lutam contra os problemas que nos afectam a todos, contribuímos também para superar os preconceitos».

Organização construída na luta da juventude

Tal como o 13.º Congresso já havia demonstrado, não há luta da juventude no nosso País que não tenha o contributo determinante da JCP. Os Encontros Regionais foram, por isso, palco para os protagonistas das lutas que se desenvolveram em defesa da Escola Pública, por um Ensino Superior para todos e pela derrota do pacote laboral.

As lutas que tiveram expressão no ER de Braga: dos estudantes da Escola Profissional de Braga, em 2025, como referiu Inês Castro, membro do Secretariado da Direcção Nacional da JCP, ou da Escola Secundária de Amares, «onde nos últimos anos os estudantes lutaram incessantemente por obras na sua escola e, este ano, conquistaram o anúncio das tão necessárias obras, exemplo de que a luta dá frutos e conquista» como afirmou Thomás Vinícios, estudante do Ensino Secundário da região.

As lutas, ao longo dos últimos anos, na FDUC contra o novo plano de estudos e pela avaliação repartida e na FLUC pela reposição da reprografia ou, em Março deste ano, as manifestações nas escolas secundárias Avelar Brotero, Jaime Cortesão e José Falcão, como referiu Paula Machado, estudante da Universidade de Coimbra.

A luta na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, em Março de 2026, onde, segundo Marta Castro, «a direcção da Faculdade ameaçou retirar a nossa emblemática esplanada, ignorando os estudantes, como em tantas outras decisões que são tomadas no Ensino Superior, levando a que mais de 800 estudantes, num espaço de tempo muito limitado, subscrevessem um apelo em defesa da manutenção da esplanada e por mais espaço na Faculdade», que culminaria numa concentração. O abaixo-assinado e a concentração em Belas Artes na Universidade do Porto, que ajudou a levar um autocarro da Faculdade para a manifestação nacional do 24 de Março deste ano, como mencionado por Isabella D’Agostini.

«A grande manifestação concelhia das três escolas secundárias de Faro, que contou com cerca de 500 estudantes a gritar palavras de ordem do Liceu ao Coreto», foi o exemplo dado por Leonor Pintassilgo, estudante da Escola Secundária Tomás Cabreira, em Faro.

A Assembleia Geral de Estudantes na escola Calazans Duarte, na Marinha Grande, em 2024, que, realizando-se pela primeira vez em muitos anos, «reuniu mais de 200 estudantes e foi aberto um espaço onde os estudantes puderam expor os problemas reais da escola, num momento em que se relembrou algo essencial – os estudantes têm direitos e devem conhecê-los», como recordou Mariana Peralta.

Os desenvolvimentos da luta da Escola Técnica e Profissional da Moita foram relatados por João Lobo, que descreveu a concentração realizada no portão da Escola, a realização de uma RGA com muitas dezenas de estudantes e a criação da primeira Associação de Estudantes da ETPM.

Fabiano Faria, da Comissão Política da JCP, destacou em Castelo Branco a manifestação no dia 7 de Outubro de 2025, na Covilhã, que foi um importante contributo para a derrota da tentativa de aumento das propinas do Governo, como referiu. A concentração no Departamento de Matemática no dia 20 de Outubro de 2025, realizada pelos estudantes da Universidade de Aveiro, foi ainda valorizada por Leonor Lopes.

As Reuniões Gerais de Alunos realizadas na Escola Secundária da Trofa e na Escola Artística Soares dos Reis, a 20 e 21 de Maio respectivamente, juntaram mais de 500 estudantes que aprovaram a carta aberta do Movimento Voz aos Estudantes “A Liberdade não precisa de autorização”, referiram no Porto Mikhael Remedy e Ana Sá.

A concentração de estudantes do Ensino Superior a 20 de Maio, em Lisboa, abordada por Pilar Morais, estudante da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, foi o espelho do descontentamento dos estudantes perante o decreto da exclusão «que pretende que ingressem nos mestrados e doutoramentos apenas os 35% e os 25% dos alunos com melhores médias, respectivamente».

A preparação da grande greve geral de 3 de Junho, esteve presente na generalidade das intervenções dos jovens trabalhadores nos Encontros, uma vez que, como referiu Rodrigo Azevedo em Lisboa, «este Encontro acontece não apenas sem que a Organização se tenha desviado um milímetro da prioridade da greve geral do dia 3 de Junho como foi importante para lhe dar mais força, para chegar a mais locais de trabalho e a mais jovens trabalhadores».

Uma Organização reforçada e pronta para a luta

Mil lutas que se traduziram na responsabilização de mais quadros, na eleição de oito Comissões Regionais e no reforço da Organização. «Na Escola Secundária do Lumiar, durante um piquete de uma luta onde os estudantes exigiam obras e melhores condições na escola, um estudante disse-nos “eu estive a pensar, e acho que a partir de hoje sou comunista”», descreveu Guilherme Vaz, da Comissão Política da JCP, em Lisboa. O Bruno, estudante da Escola do Lumiar, foi uma das «mais de 80 inscrições em Lisboa, desde que este Encontro foi convocado, a 7 de Fevereiro», anunciou Ana Beatriz Santos, membro do Executivo de Lisboa da JCP.

No Algarve, onde o Encontro Regional contou com a participação de 40 jovens, só no Ensino Secundário «desde o início do ano lectivo foram 37 inscrições, cinco novos colectivos criados e hoje temos camaradas em nove escolas e cinco concelhos», afirmou Leonor Pintassilgo.

Exemplos semelhantes foram referidos por Inês Castro, que apontou 25 novos militantes inscritos em Braga desde Setembro, e João Luís Silva, do Secretariado da Direcção Nacional da JCP, que afirmou no Porto que «a luta significou sempre o reforço da JCP e o reforço da JCP significou sempre o crescimento da luta», acrescentando que «nos últimos dois anos inscrevemos mais de 200 novos militantes aqui no Porto, mais de 50 na preparação deste Encontro Regional do Porto desde Fevereiro».

O êxito dos nove Encontros Regionais da JCP realizados em Maio tem um enorme significado e expressa avanços importantes no reforço e estruturação da organização e na consolidação da ligação da JCP aos problemas e lutas da juventude portuguesa. Mas estes momentos não foram um fim, antes exigem a consolidação desta intervenção nas nove Organizações Regionais que os realizaram e levantam possibilidades de trabalho para outras.